novembro 27, 2009

Resumo dos Princípios gerais da NAYEC

A NAEYC http://www.naeyc.org/; (National Association for the Education of Young Children) apresenta um conjunto de princípios acerca do desenvolvimento e da aprendizagem que são considerados como basilares na fundamentação e orientação de uma prática educativa desenvolvimentalmente adequada para crianças pequenas.
Resolvi partilhá-los porque considero-os bastante pertinentes e porque, à falta de um documento orientador para a Creche no nosso país; é preciso procurar fundamentação em documentos alternativos.
De facto esta lacuna, este vazio de documentação para a Creche no nosso país revela por parte do Governo a pouca importância que é dada à educação de crianças com menos de 3 anos. Mas a educação da criança ocorre desde que nasce e não começa apenas aos 3 anos. Espero que à semelhança do que vem sendo feito noutros paises; Portugal, comece a valorizar a dimensão educativa das crianças com menos de 3 anos; afinal durante essa fase as crianças atravessam um período de desenvolvimento fundamental quer em termos cerebrais, quer físicos, quer afectivos e relacionais que serão as bases do seu desenvolvimento futuro.

Assim, a NAYEC, propõe os seguintes príncipios:

Os DIFERENTES DOMÍNIOS DO DESENVOLVIMENTO físico, emocional, cognitivo, ESTÃO ESTREITAMENTE RELACIONADOS e essa INTER-RELAÇÃO DEVE SER COMPREENDIDA E ACTIVAMENTE EXPLORADA pelos educadores na organização das suas experiências de aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento óptimo da criança em todas as áreas e a possibilidade de ela ESTABELECER CONEXÕES SIGNIFICATIVAS entre vários domínios.

Existe VARIABILIDADE DESENVOLVIMENTAL NAS CRIANÇAS; a sua idade é apenas um indicador da sua maturidade desenvolvimental; o carácter único do padrão de desenvolvimento de cada criança deve ser reconhecido pelo educador e deve basear-se nele para tomar as suas decisões curriculares, tendo em conta a INDIVIDUALIZAÇÃO DAS INTERACÇÕES COM O ADULTO (conceito de adequação desenvolvimental individual).

A criança contribui de forma decisiva para o seu desenvolvimento e aprendizagem, à medida que se esforça para da SIGNIFICADO ÀS EXPERIÊNCIAS DIÁRIAS, NOS DIVERSOS CONTEXTOS ONDE ESTA INSERIDA.

As CRIANÇAS SÃO APRENDIZES ACTIVOS, construindo a sua própria compreensão da realidade com base nas experiências directas físicas e sociais.

O desenvolvimento ocorre de forma previsível com vista a uma COMPLEXIDADE, ORGANIZAÇÃO E INTERNALIZAÇÃO CRESCENTE. A aprendizagem na infância progride do CONHECIMENTO COMPORTAMENTAL PARA O SIMBÓLICO OU REPRESENTACIONAL. Tal implica que as práticas educativas forneçam oportunidades para a criança DESENVOLVER E APROFUNDAR O SEU CONHECIMENTO COMPORTAMENTAL E PROGRESSIVAMENTE ADQUIRIR CONHECIMENTO SIMBÓLICO ATRAVÉS DE OPORTUNIDADES VARIADAS PARA REPRESENTAR AS SUAS EXPERIÊNCIAS.

As experiências precoces têm um efeito cumulativo podendo se repetidas, ter EFEITOS PODEROSOS E DURÁVEIS NO DESENVOLVIMENTO posterior. Existem períodos óptimos para o desenvolvimento.

O desenvolvimento das crianças acontece melhor no CONTEXTO DE UMA COMUNIDADE QUE LHES OFEREÇA SEGURANÇA, AS VALORIZEM, ONDE AS SUAS NECESSIDADES FÍSICAS E PSÍQUICAS ESTÃO ASSEGURADAS.


As crianças REVELAM DIFERENTES MODOS DE CONHECER E DE APRENDER, DEFERENTES MODOS REPRESENTAR O QUE SABEM E CONHECEM.

O JOGO É UM VEÍCULO IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL, EMOCIONAL E COGNITIVO DA CRIANÇA, BEM COMO UM REFLEXO DO SEU DESENVOLVIMENTO


O DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM OCORREM E SÃO INFLUENCIADOS PELOS MÚLTIPLOS CONTEXTOS SOCIAIS E CULTURAIS E PELAS INTERACÇÕES ENTRE ESTES. O educador deve conhecer os diferentes contextos das crianças garantido uma educação com cariz inclusivo e multicultural.

O desenvolvimento ocorre numa sequência relativamente ordenada em que a CONSTRUÇÃO DE COMPETÊNCIAS E CAPACIDADES E O CONHECIMENTO POSTERIOR SE CONSTROEM COM BASE NAS APRENDIZAGENS JÁ REALIZADAS. Os educadores devem considerar o conhecimento relativo ao desenvolvimento como base para preparar ambiente educativo e planificarem OBJECTIVOS REALÍSTICOS E EXPERIÊNCIAS ADEQUADAS.

novembro 25, 2009

A primeira pintura da Bebé usando o pincel

Hoje a Bebé experimentou pela primeira vez pintar com um pincel . Usou uma tinta vermelha espessa que fizemos misturando preparado em pó para sumo de morango. Este produto permite obter cores fortes e luminosas (e também muito cheirosas e saborosas!). Além disso tem uma textura granular que proporciona diferentes sensações tácteis . Nós usámos apenas o pó diluído em água mas poderíamos ter juntando farinha para espessar mais a tinta ou adicionar outras substâncias como millet ou massinhas o que diversificaria a experiência mas o que hoje era importante era que a Bebé explorasse o pincel e as suas possibilidades.
Fiquei supreendida com a Bebé pois parecia já ter usado o pincel várias vezes. Puxou para junto de si o recipiente que continha a tinta e começou a pintar mergulhando o pincel sempre que necessitava.
(Parece que herdou lá nos seus genes o meu gosto por pintar com pincel...)
A  Bebé está sempre a supreender-me; vejo agora na prática como é importante oferecer possibilidades aos bebés para experimentar novos objectos e situções. Os bebés aprendem em acção; em interação com as coisas, com as pessoas, nas diferentes situações. É preciso que o mundo à sua volta seja interessante e mutável, ainda que seguro.Assim quanto mais empolgante for o seu mundo maior será o seu interesse em descobrir. No entanto parece-me essencial para a descoberta e para a aprendizagem o bem-estar emocional e a segurança afectiva do bebé pois mais do que todo o resto os bebés precisam de Afecto, compreensão, responsividade, respeito pela sua individualidade e vontade (sim, acredito que devemos respeitar a vontade do bebé; o que é substancialmente diferente de fazer todas as vontades ao bebé).
No final da pintura foi preciso dar banho à boneca que assistiu a tudo e aproveitei para lhe colocármos uma fralda para ver se a Bebé aceita melhor esta rotina pois por vezes é difícil que permaneça quieta os parcos minutos necessários para lhe mudar a fralda! Além disso, o banho e o colocar da fralda na boneca são ocasiões onde a Bebé pode explorar os elementos do corpo; desenvolver a fala, o pensamento simbólico, a afectividade...

novembro 23, 2009

Rreflectindo sobre a saudade de Infância

Mal espreita o Sol e nós saímos; parecemos um caracol! Hoje fomos colher folhas de linquidambar (uma àrvore que no Outono adquire cores fantásticas) para fazermos presentes de Natal e entre folhas vermelhas e céu azul vislumbrei um jardim de infância que brilhava como um grande sol amarelo; olhei-o de longe e pareceu-me lindo. Deu-me uma saudade, um aperto no coração; imaginei ser educadora ali, naquele sol amarelo...
Cada vez sinto mais falta desse contacto, desses pequenos seres que me fazem tão feliz...
Espero em breve poder fazer parte de um sistema solar, amarelo como aquele que hoje vi ou de outra cor qualquer; embora hoje seja feliz  sei que posso ser mais feliz quando estiver no meio de crianças.
Tenho mesmo uma enorme saudades de crianças...nem sei bem explicar o que sinto...
É que depois de tantas voltas (apertadas) na minha vida   em que troquei o jardim botânico pelo jardim de infância; sinto que preciso seguir o meu caminho. Enfim, entre estudar e cultivar plantas e ajudar a crescer e a ser felizes crianças; lá vou traçando o meu caminho, ao sabor do tempo, das estações e da vida.
Quando erámos crianças, eu e a minha mana, inventámos uma palavra: saudafu (lembras-te, Candi?) Inventá-mo-la porque não sabíamos como designar as saudades que tínhamos do futuro, do nosso futuro, em que imaginavámos o que poderíamos vir a ser... e foi isso que eu hoje senti ao ver aquele jardim de infância: umas enormes saudades do futuro onde espero ser educadora de infância, no meio de crianças que imagino a sorrir, a chorar, a dançar, a gritar, a dormir,  a correr, a sentar, a experimentar, a desfazer, a partir, a criar, a crescer e a ser...

...Saudafus, saudafus... (mana, tenho muitas saudades tuas...)

novembro 22, 2009

Explorando as frutas com crianças de 2 anos: Uma banana... duas bananas! (Miniprojcto: Alimentos de todas as cores e sabores)

Esta actividade que partilho fez parte do meu projecto de estágio e foi uma das actividades que fez mais rir, dançar e brincar as crianças.
Consiste na apresentação e exploração da canção: Uma banana que faz parte do programa Rua Sésamo com o qual eu também cresci.
Nunca esqueci esta divertida canção e por isso esta canção surgiu-me logo na mente quando pensei numa canção ligada à temática da alimentação para explorar com as crianças.
Realizámos também as Meninas bananas com as quais dançávamos enquanto cantávamos a canção.As crianças construiram assim um objecto-brinquedo que ajudou a explorar uma nova canção.
Esta é também uma canção que canto à minha Bebé e que ela adora, talvez devido à mímica associada; aliás a Bebé memorizou um gesto da canção e utiliza-o para designar banana. Na verdade as canções com mímica são muito importantes para as crianças e encerram muitas oportunidades de aprendizagem. Além disso cantar e dançar são actividades tão divertidas que nos ajudam a sorrir, a descontrair, a ser felizes! Dancem, cantem e sorriam sempre pois são das melhores acções para o ser humano.

Actividade: Uma Banana...duas bananas!

Objectivos:
Decorar um objecto tridimensional (em forma de banana) que será usado para introduzir e explorar uma nova canção na actividade seguinte

Fomentar a experimentação e a exploração de diferentes técnicas e de materiais com diversas texturas, cores e brilhos
Desenvolver a motricidade fina
Estimular a coordenação óculo-manual
Desenvolver a imaginação e criatividade
Construir um material que poderá ser usado como objecto lúdico em diferentes actividades: brincadeira livre, jogos dramáticos, acompanhamento de canções, histórias, jogos de psicomotricidade
Introduzir uma nova canção no grupo, relacionada com a temática do projecto

Interpretar as imagens do cartaz, de modo a desenvolver a observação, a discriminação da cor, do tamanho da quantidade
Utilizar de forma lúdica e orientada o objecto decorado na anteriormente
Interpretar a canção e a mímica associada
Estimular o sentido rítmico e auditivo
Discriminar os sons alto/baixo e os ritmos rápido/lento
Desenvolver a linguagem oral (pronuncia e articulação de palavras)
Favorecer a imaginação, a fantasia e o jogo simbólico, divertindo-se com os colegas, participando em grupo numa actividade de canto e dramatização muito simples
Adequar o seu comportamento às indicações da educadora e ao comportamento das outras crianças
Vídeo da canção:

novembro 21, 2009

A Linguagem gestual da Bebé


A minha Bebé começou cedo a comunicar connosco. Ainda com poucos meses começou a mexer os lábios, a imitar sons; sempre palrou muito. Desde cedo começou também a parecer perceber o que dizámos mas o que considerei (até hoje) mais curioso foi o facto de comunicar através de gestos. Tem um gesto para chapéu, tem um gesto para não há, para nos chamar para a seguirmos, para pentear, um gesto para banana, para flor, para formiga, para caracol e até para o exaustor da cozinha que usa quando quer que eu o ligue!
A bebé aprendeu  a reproduzir os gestos que associávamos a algumas palavras e expressões sem nós nos darmos conta que fazíamos gestos enquanto falavámos!
Há momentos, enquanto pesquisava sobre o desenvolvimento da linguagem em bebés encontrei um artigo intitulado Falar antes de falar onde precisamente indicam que a comunicação gestual em bebés existe, pode ser estimulada e tem benefícios para o seu desenvolvimento! E existe até um progama, o Baby signs específico para ensinar bebés a comunicar gestualmente com os pais...antes mesmo de falarem!

Afinal a minha bebé descobriu uma forma de comunicar connosco pré-verbal muito importante e cabe a nós potenciar está forma de comunicação. E é tão bom conseguirmos comunicar...mesmo antes de a bebé falar!..
Na verdade isto só confirma a minha convicção de que os bebés são muito mais inteligentes do que aquilo que pode parecer à primeira vista. Por isso custa-me muito a aceitar quando ouço pessoas dizerem que  na Creche "não se faz nada". Ah, faz-se tanto na creche... Faz-me lembrar uma questão colocada pela minha execelente professora Dr.ª Ana Coelho numa das suas aulas: "Quem aprende mais: um bebé ao longo do seu primeiro ano de vida ou vocês ao longo dos quatro anos do curso de Educação de Infância?".
Posso ter aprendido muitas coisas na minha licenciatura mas sem dúvida que a minha Bebé aprendeu muito mais ao longo do seu primeiro ano de vida. Que privilégio o meu poder ter estado sempre ao lado dela e ver, apoiar e partilhar a felicidade que é aprender algo novo todos os dias.
(Quem me dera ser como a minha bebé...)

Deixo o link para o artigo: www.mae.iol.pt/artigo.php?id=949345&div_id=3641;
O link para o progama: http://www.babysigns.com/;
...e um vídeo onde se vê um bebé de 12 meses a comunicar com gestos previamente ensinados

novembro 20, 2009

Cartão de Natal simples feito com a Bebé

Ontem aproveitámos o Sol e fomos lá abaixo ao jardim. A Bebé brincou com as folhas vermelhas, fantásticas que haviam pelo chão; arrancou  literalmente a relva verde do chão; apanhou flores amarelas de dente-de-leão que me deu a cheirar; encontrou um caracol e uma abelha, enfim a Natureza é uma fonte de experiências inesgotável com as suas cores, cheiros, sons, texturas, sabores...sem fim...

Aproveitei o passeio e trouxe folhas e pequenos pedaços de ramos de um choupo que o vento tinha quebrado e com a Bebé fizemos este simples postal de Natal.
A Bebé adorou apanhar as pequenas bolinhas (movimento de pinça fina), apertá-las, deitá-las pelo chão, colocá-las dentro de um copo...
Sim, é verdade, os Bébes estão sempre a explorar, a observar, experimentar, a aprender!
Devíamos ser mais como eles e descobrir nas coisas mais simples grandes possibilidades para aprender.
O postal ficou muito simples mas para mim ficou muito especial porque teve o toque da minha pequena filha!
Fica a sugestão para quem apreciar a grandeza das coisas simples e pequenas!  : )

Preparar uma salada de fruta com crianças de 2 anos

Miniprojecto: Alimentos de todas as cores, de todos os sabores
(Sala dos 2 anos)

Actividade 3: A salada de frutas
Objectivos:
Dar oportunidade para as crianças participarem de forma activa no processo que conduz à preparação duma salada de frutas, dando um sentido prático e real aos alimentos até aqui explorados

Desenvolver e coordenar as potencialidades manipulativas de carácter fino (usar os diferentes talheres, respeitando regras básicas d e segurança)
Interiorizar progressivamente regras elementares de higiene (lavar as mãos antes e após a manipulação de alimentos)
Desenvolver o gosto por alimentos saudáveis
Desenvolver o espírito de grupo, participando numa tarefa que conduz à produção de um objectivo comum (salada de frutas)

Estratégias possíveis:
A educadora diz às crianças que foi às compras e que trouxe frutas para fazermos uma salada de frutas. Tira as frutas do saco e coloca-as num cestinho. Deixa que cada criança observe as frutas. Identificamo-las em conjunto. Seguidamente dá a cada criança um pedaço de uma fruta previamente cortado e pede que a cortem em pedaços menores e que depois a coloque na tigela de plástico. Repetir este procedimento para todas as frutas. Cada criança espreme com a ajuda de um espremedor manual o sumo de uma metade de laranja e adiciona-o à tigela. Cada criança mexe a salada com uma colher, cheira e observa todos os frutos cortados. Depois é dito às crianças que depois do almoço poderão provar a salada que fizeram.
Avaliação:
Observar o envolvimento das crianças durante a preparação da salada de frutas: conseguiram identificar os diferentes frutos? Qual das tarefas lhes suscitou mais interesse? Conseguiram partilhar sem dificuldade o espaço de trabalho? Que comentários realizaram durante a actividade?
Constatar se todas as crianças quiseram provar a salada que preparam e se conseguiram discriminar na tigela os pedaços das diferentes frutas e a fruta que originou a maior parte do sumo.

Actividade 4: Uma salada colorida e deliciosa!
Objectivos:
Consolidar as vivências e o vocabulário explorado na actividade de preparação da salada de frutas
Estimular a expressão oral das crianças
Participar na elaboração de uma forma de registo da actividade de preparação da salda de frutas, favorecendo a consolidação do processo vivenciado e a sua divulgação à comunidade educativa
Promover o intercâmbio de informação entre as crianças, as famílias sobre as actividades realizadas na sala



Estratégias:
  Leitura de um poema sobre a confecção da salada de frutas realizada e interpretação das imagens.
Elaboração de um cartaz com imagens dos objectos e das frutas usadas de modo a representar o processo de confecção da salada: mostrar as imagens dos frutos e utensílios usados. Colocá-los pela ordem em que os usámos. Cada criança cola um elemento no cartaz.

Avaliação:
Conversa com as crianças sobre a actividade realizada: o que fizemos primeiro, que frutas utilizámos, como partimos as frutas, que fruta utilizámos para fazer sumo; quando vamos provar a salada?
Observar se as crianças conseguiram identificar as etapas-chave da preparação da salada e se conseguiram nomear os utensílios e as frutas usadas






Actividades com frutas para crianças de 2 anos (Miniprojecto: Alimentos de todas as Cores e de todos os sabores)

Miniprojecto: Alimentosde todas as cores, de todos os sabores
(sala dos 2 anos)
Partilho agora um conjunto de actividades que fizeram parte de um miniprojecto intitulado: Alimentos de todas as cores, de todos os sabores. Estas actividades foram desenvolvidas com um grupo de crianças de 2 anos.
Tal como a maioria das actividades que já partilhei, estas actividades baseiam-se na aprendizadem através dos sentidos e na experimentação por isso muitas vezes o registo tornou-se díficil mas ficam aqui as sugestões.

Fundamentação geral das actividades
Cada vez mais é urgente que as nossas crianças adquiram hábitos alimentares saudáveis; uma alimentação diversificada que inclua muitos frutos e outros vegetais.
Porque se acredita que alimentação também é um processo educativo, este miniprojecto pretende contribuir para que estas crianças comecem a desenvolver, desde cedo, o gosto por incluir estes alimentos na sua dieta alimentar.
O contacto informal com os alimentos e a apresentação destes como algo divertido poderá ser uma forma para que as crianças possam construir uma imagem positiva sobre os vegetais, evitando atitudes de rejeição perante todos os alimentos de cor verde que aparecem no seu prato.
Por outro lado é também importante que as crianças progressivamente desenvolvam hábitos de higiene alimentar nomeadamente a importância de lavar os alimentos e as mãos antes de comer.
Acredita-se também que nesta fase do desenvolvimento as crianças aprendem melhor quando os conhecimentos são apresentados de forma funcional através de experiências pelo que neste miniprojecto, e um pouco ao longo de todo este projecto de estágio, se oferecem oportunidades para que as crianças possam explorar e contactar directamente com diversos alimentos vegetais, usando o seu corpo e os seus sentidos como instrumentos privilegiados de aprendizagem sobre o mundo que as rodeia.
Este miniprojecto constitui-se como um conjunto de oportunidades educativas, essencialmente exploratórias em que a criança através dos seus sentidos explora diferentes alimentos vegetais pois constatou-se o interesse e a motivação das crianças em manipular objectos, em explorá-los usando todos os sentidos.
Observou-se que essa exploração de materiais, recursos e técnicas seria muitas vezes em si mais importante e possibilitadora de aprendizagens, do que o fim ou o resultado final da actividade em si.
Desta forma optou-se nesta fase por permitir que as crianças observassem, tocassem, cheirassem e provassem diferentes alimentos vegetais; interagindo com estes de forma exploratória. Pensou-se também que seria oportuno que as crianças pudessem experimentar e observar a germinação de uma semente pois seria talvez a forma mais simples e concreta de perceber de onde vêm os vegetais e de perceber os cuidados que as plantas necessitam para crescer.
Embora o mundo dos alimentos seja muito vasto, optou-se por explorar essencialmente os frutos pelas possibilidades que oferecem em termos de cores, cheiros, formas, texturas e sabores e os legumes, nomeadamente os que aparecem na sopa; alimentos pelos quais algumas das crianças do grupo apresentam alguma relutância em ingerir.
Acredita-se pois que o contacto e a exploração não formal dos legumes fora do contexto alimentar das crianças; possa contribuir para que estas os considerem de uma forma mais positiva e os incluam progressivamente na sua alimentação.
(in Projecto de Estágio "Eu, as cores, os sabores e os animais do mundo", a.m., 2008)
 Actividade 1: A saquinha das frutas
Objectivos:
-Introduzir de forma sensorial, prática e concreta a temática do miniprojecto
-Explorar e descobrir sensorialmente diferentes frutos (observar, tocar, saborear, cheirar)
-Incentivar e desenvolver a expressão oral das crianças
-Introduzir e enriquecer o vocabulário a partir da explorarão dos frutos: conceitos de grande, pequeno, liso, áspero, casca, sementes, doce, amargo, sumo, nome dos frutos, cor dos frutos
-Adequar o seu comportamento as actividades do grupo: saber esperar pela sua vez, partilhar objectos, ouvir o outro quando este fala
-Contactar de forma diferente e exploratória com os frutos, fora do contexto das refeições, a fim de estimular o gosto das crianças por estes alimentos
Estratégias:
Reunir as crianças à volta da mesa. Cada criança retira de um saco um fruto (banana, laranja, kiwi, maçã vermelha, pêra verde). Todos em conjunto exploramos cada fruto, identificamos o seu nome, utilizamos os nossos sentidos e identificamos a sua cor, sentimos o seu cheiro, a sua textura (será rugoso, liso, tem pêlos, pica, tem pintinhas?); perguntamo-nos como será por dentro, se terá a mesma cor no interior e no exterior; se costumamo-lo comer, como, onde; se gostamos do seu sabor.
Em seguida a educadora corta o fruto perante as crianças e observamo-lo no seu interior. Depois é dado um pedaço do fruto a cada criança para que o possa saborear e opinar sobre o seu gosto.
No final cada criança identifica qual foi o fruto que mais gostou e pinta com lápis de cera uma imagem fotocopiada do fruto.
Avaliação:
Observar o envolvimento, as reacções das crianças durante a actividade: mostraram interesse pelos diferentes frutos? Fizeram comentários sobre os frutos? Identificaram a sua cor, nome? Que questões levantaram?
O que parece ter suscitado mais o seu interesse?
Registar os comentários das crianças sobre cada fruto numa tabela destinada a esse fim

Actividade 2: Frutas Divertidas
Objectivos:
Desenvolver a capacidade de escutar um poema e a capacidade para interpretar imagens sobre os frutos explorados na actividade anterior
Estimular o gosto pela audição e exploração de textos e imagens
Desenvolver a linguagem oral das crianças (pronuncia e articulação de palavras)
Apresentar um texto de forma diferente, de modo a cativar o interesse das crianças, ao mesmo tempo que estabelece um elo de ligação entre conteúdos abordados até ao momento (as frutas e as cores)
Estratégias:
Leitura de um poema sobre os frutos e exploração das ilustrações do poema
Diálogo e partilha sobre as experiencias vividas na actividade da saquinha dos frutos: conversa breve sobre o que vivenciamos e mostrar ao grande grupo os frutos que cada criança pintou, perguntado às crianças qual é o seu trabalho e que diga aos colegas qual foi a fruta que mais gostou.
Avaliação:
Observar o comportamento das crianças durante a actividade: Estiveram atentas? Como reagiram ÀS ilustrações dos cartões? E ao texto? Fizeram comentários?

Observar a reacção das crianças durante a partilha das imagens coloridas dos frutos: conseguiram identificar o seu fruto preferido e a sua cor? Todas expressaram verbalmente perante o grupo estes aspectos? Conseguiram ouvir os colegas?
Poema utilizado na actividade:


As bananas amarelas
estavam no saco escondidas
não sabiam o caminho
para encontrar a saída
Também lá estava a maçã
que  era verde e  redodinha
e ao lado estava a sua irmã
que era vermelha e mais docinha

A laranja pequenina
que se parece com um sol
escondeu-se dos meninos
que a queriam para bola de futebol

O Morango encarnado
estava a rir-se do limão
que com tanta gargalhada
até caíu ao chão

A pêra muito verdinha
toda cheia de pintinhas
dá saltos pequeninos
e diz: Adeus meninos!




novembro 16, 2009

Poema para a Bebé


Ontem fomos ver, cheirar e sentir a chuva e na doçura dos seus treze meses a Bebé poetisou a paisagem vista numa palavra: "áqua"!


Chove, chove muito lá fora...
Sinto o cheiro da terra molhada
e no rosto as gotas frias de água!
Vejo os choupos com a folhagem amarelada
E mais além, na Tília quase desfolhada
Ouço o piar de uma ave assustada
Quedado por um carro que passa na estrada
Brum, brum... lá vai sem demora
E quando o silêncio novamente aflora
Aponto para a relva verde encharcadada
E digo: áqua!
(16-11-09)

Pinturas com materiais alimentares para a Bebé



Desta vez, eu e a Bebé, além de fazermos deliciosos pudins para o papá, resolvemos experimentar novos materiais para pintar, com diferentes cores, cheiros, texturas e sabores!
Pois...usámos um pouco de preparado para pudim em pó a que juntamos umas gotinhas de água. Mexemos, espalhámos, provámos... Juntámos bolinhas coloridas para enfeitar bolos (material que a Bebé adorou) e o resultado final foi uma explosão de cor, de cheiro e sabor... pela cozinha a fora! (Pois só uma mamã como eu para permitir tais experiências na cozinha!...Mas, olhem a sujidade limpa-se com um pano e água e desaparece mas as experiências tácteis, olfactivas, gustativas, visuais , os sorrisos e a cumplicidade que nos une nestas experiências ficarão guardadas dentro da mente ( e do coração) da minha doce Bebé, para sempre).

Loto das cores: jogo simples construído com crianças de 2anos (Miniprojecto: O meu mundo é muito colorido)














Com estes carimbos simples podem fazer-se carimbagens coloridas e construir,por exemplo, um Loto das Cores para jogar em casa como pais e restante família.
Ao planear esta actividade considerei importante dar oportunidade à criança para que a partir da exploração de uma técnica plástica, pudesse depois construir um objecto com um fim lúdico.
As experimentações artísticas além de serem vivenciadas e expostas podem também ter uma outra finalidade posterior que dá por assim dizer, continuação e praticidade à experiência artística.

novembro 14, 2009

Poema à cor preta


Eu acho a noite misteriosa e mágica!
Porque nela tudo brilha: estrelas, planetas e até a lua
Apesar da sua luz não ser mesmo sua!

Eu gosto de olhar o céu escuro
E ouvir o meu pai dizer:
- Olha! Aquela estrela além é Mercúrio!...

Às vezes, com as sombras da noite fico assustado
Quando espreito da janela do meu quarto
Algum morcego desorientado
À procura de insectos na rua...

Mas um dia, quando eu já for grande
E não tiver medo nenhum da escuridão
Vou viajar numa nave de metal até às estrelas
Para saber de verdade como elas são!...

(a.m)