janeiro 25, 2010

Uma borboleta pintada pela Bebé usando eponjas e cereais


Partindo do interesse da Bebé pela figura da borboleta ("beeta"), criámos esta borboleta doce que de certo modo antecipa a Primavera.
(Estou anciosa para que a Bebé possa ver voar borboletas de verdade.)
A Bebé utilizou pela primeira vez as esponjas para pintar. Estranhou mas gostou.
Primeiro dei-lhe as esponjas de banho para explorar livremente. Explorou-as longamente, sentiu a sua textura, tentou empilhá-las, colocou-as dentro de vários objectos, transportou-as pela casa, chamou-lhes "spumas".
Usámos tinta espessa feita com pudim e a esponja para pintar a borboleta. Colámos depois cereais sobre a tinta ainda húmida.

janeiro 19, 2010

A lagartinha comilona e a construção do número

- Proposta de actividades sobre a Construção do Número usando como suporte o livro: «A LAGARTINHA MUITO COMILONA»

Este livro constitui uma base fantásica para a exploração de actividades no Domínio Matemática. Aqui ficam algumas sugestões mas muitas mais são possíveis. Aliás com um pouco de atenção verifica-se muitos livros constituem suportes fantásticos para explorar actividades matemáticas no jardim de infância.


1-Referências textuais que ajudam na construção do número:
- «um pequeno ovo; uma lagartinha esfomeada; uma maçã; duas peras; três ameixas; quatro morangos; cinco laranjas; uma fatia de bolo de chocolate, um sorvete, um chupa-chupa, um pedaço de bolo de frutas, uma salsichinha, um pastel, uma fatia de melancia; uma folha verde, um casulo, duas semanas; um buraco; uma maravilhosa borboleta». O texto faz referências aos 7 dias da semana.

-Nas ilustrações: Os desenhos são muito simples e quando texto faz referência a uma quantidade esta aparece ilustrada pelo objecto, exemplo: 3 ameixas são representadas pela ilustração de 3 ameixas.

2- Questões que podem levar a construção do número a partir do livro:
Quantas frutas comeu a lagartinha na segunda? E no quarta comeu mais ou menos? Quantas frutas comeu a lagarta no total?
 Qual foi o maior alimento que a lagartinha comeu? E o mais pequeno?
 Agrupa os alimentos que a lagartinha comeu que tem a mesma cor.
Nenhum alimento que a lagarta comeu no sábado é verde?
Quantos dias têm uma semana? E duas semanas?
Quanto tempo teve a lagarta no casulo?

3-Algumas utilizações do livro que podem conduzir à construção do número:
1-Comparação; ex: Em que dia comeu mais frutos a lagartinha? Na terça comeu mais ou menos que na quinta?
2 Ordenação/seriação; exs: colocar por ordem as fases da vida da lagartinha (primeiro, ovo; segundo, lagarta, a terceiro, casulo, quarto, borboleta); sequência dos dias da semana
3 Contagem dos diferentes alimentados representados
4 Inclusão; utilizando as imagens do livro (folha 4)
5 Correspondência um a um
6 Classificação simples; ex: Todos os alimentos que a lagarta comeu no sábado são vermelhos? Fazer conjuntos com os alimentos doces, salgados...
4-Conexões com outras áreas:Domínio da expressão plástica: a criança pode ilustrar livremente a história, representado as quantidades a que o texto faz referência, por exemplo.
Domínio da linguagem oral e abordagem à escrita: ouvir, contar a história
Área do conhecimento do mundo: esta história faz várias referências aos dias da semana e à passagem do tempo (dia/ noite; duas semanas); descreve também o processo físico da metamorfose, ilustrando as várias etapas de vida da lagarta (ovo, lagarta, casulo; borboleta). Evidencia também a importância da alimentação para o crescimento.
Esta história, devido ao uso expressivo das cores permite a sua exploração, bem como o conhecimento dos diferentes frutos.


janeiro 15, 2010

Alguns dos livros preferidos da Bebé

Embora a maioria destes ivros não apareça referenciada na categoria de livros para bebés; estes são na verdade os livros que a Bebé explora com mais interesse apesar de ter à sua disposição também livros referenciados para a sua faixa etária.
Tal mostra-nos que nem sempre as nossas classificações de adulto correspondem aos interesses reais da criança. Assim o melhor é disponibilizar à criança um conjunto diverso de livros para que contacte com as diferentes oportunidades que cada um lhe oferece e possa ela mesma selecionar os livros que mais lhe interessam em cada fase do seu desenvolvimento.

 

É um livro pleno de humor, colorido com páginas com recortes e janelas pelos quais a Bebé adora espreitar. Aos 15 meses já identifica a forma redonda como "boola". É um livro que permite explorar as formas de forma divertida. As folhas estão unidas a argolas de metal o que torna o livro frágil, especialmente nas mãos de um bebé de 15 meses!

Alguém escreveu ao Zoo a pedir uma animal de estimação mas só após várias tentativas conseguiram acertar no animal certo.  É um livro com abas, de ilustações simples, divertidas. A Bebé adora levantar as abas e descobrir quem lá está. Acompanhámos a leitura do livro com os sons dos diferentes animais e, por vezes, invento rimas para cada animal; enfim divertimo-nos muito com este livro. Mas para que o divertimento continue já tive de reforçar as abas das ilustrações com fita adesiva!

A Bebé já antecipa quem o Bolinha vai encontrar ao longo do seu primeiro passeio. Já identifica o caracol  "col" que se esconde atrás de uma das abas do livro mesmo antes de a levantar. Parece-me que tem também memória de outros animais escondidos ao longo do livro mas como ainda não verbaliza os seus nomes; não tenho a certeza.As abas das imagens são resistentes mas não resistem às mãos de bebé. Tive de reforça-las com fita adesiva.



O pequeno ganso enquanto passeia descobre no que se transformarão o girino, uma semente, uma bolota, uma lagarta e uma larva. As ilustações são muito interessantes pois embora simples e divertidas evidenciam grande rigor científico.
A Bebé adora levantar as abas e ver o que escodem. Já identifica o sapo, a flor, a abelha mas o ganso ainda é o pato.


Embora seja um livro não direcionado para bebés a verdade é que a Bebé aprecia as ilustrações deste livro, observando com seriedade as imagens, por vezes complexas e disparatadas deste livro. Na verdade as ilustações são muito ricas, cobertas de pormenores interessantes.
Normalmente leio apenas alguns versos dos poemas e depois exploramos as imagens. Por vezes, divagamos e inventamos novos versos malucos.
A Bebé reconhece este livro como o livro da Lua devido a este astro figurar na capa do livro.
É um livro muito divertido que brinca com as letras, com as palavras, com os sons. Um livro indespensável para todas as crianças.

Já aqui falei neste livro pois é talvez o preferido da Bebé. E de tão lido já perdeu alguns pedaços de páginas o que é lamentável pois as ilustrações são magníficas.
A Bebé apesar da complexidade das paisagens observa com atenção cada pormenor e identifica alguns elementos. É de referir que o interesse que revela pelas ilustrações não é igual para todas; também há aquelas páginas nas quais a Bebé não se detém.
Os poemas são muito sonoros pelo que lidos em voz alta ganham uma dimensão quase de canção.
A Bebé identifica este livro como o livro do caracol devido a uma ilustração alusia a este animal existente no livro. "Col" foi aliás uma das primeiras palavras da Bebé e surgiu justamente enquanto apontava para esta ilustração.

janeiro 12, 2010

Lua de papel pintada pela Bebé

A Bebé aos 15 meses já identifica verbalmente a Lua nas imagens onde este astro surge representado.
Com base no interesse manifestado pela Bebé a respeito deste astro propôs-lhe a decoração de uma grande lua para iluminar as noites no seu quarto.
E só foi preciso começar a desenhar a forma de uma lua quarto crescente no cartão de uma caixa de cereais para que a Bebé apontasse o desenho e dissesse "úa".
Depois com tinta de preparado de pudim pincelou a lua.
Antes que secasse colou pequenas luas, esferas e círculos feitos a partir de uma "prata" que envolvia um chocolate.
Em seguida polvilhei a Lua da Bebé com brilhantes.
Amanhã depois de seca, já brilhará à noite no quarto da Bebé.
Sim, porque mesmo à noite, os seres humanos precisam de luz; senão porque haveria lua e tantas estrelas no céu da noite?...

Sugestão de Leitura:

Papá, por favor, apanha-me a LuaEric Carler Antes de se deitar, a Mónica olhou pela janela e viu a lua. A lua parecia estar muito perto.
“Queria tanto brincar com a lua!”, pensou a Mónica.

E tentou apanhá-la. Porém, por mais que se esticasse, não conseguia tocar-lhe.

É um dos meus livros preferidos. Uma menina que pede ao pai a Lua...Ilustrações simples, originais. Páginas desdobráveis. Harmonia entre o onírico e o real. Abordagem simples das fases da Lua. Conceitos de grande, subir, descer abordados através das páginas desdobráveis. As crianças adoram as surpresas que se escodem nestas páginas desdobráveis. Chegará a menina à Lua?

Flor feita com chupa-chupa

Flores...flores
Cores...cores
Primavera e luz
tão distantes...

Quem me dera
poder fazer brotar
do chão gelado
Flores vivas

Com a mesma singeleza
Com que as de papel
inodoras e leves
me nascem doces
das mãos...

janeiro 10, 2010

Sabedoria de criança: Ver o Mundo de modo diferente

Um dia a M. estava a brincar com as bonecas e colocou uma no meu colo que tinha perdido um olho e eu do alto da minha posição de adulta disse:
- Ah! Que pena...Esta boneca só tem um olho!
Ao que a M. na sua sapiência de criança respondeu:
 - Não, Angela, ela está só a piscar o olho assim, vês?...
 E eu vi. Vi como diante a mesma situação cada um de nós a vê diferente; eu vi que faltava um olho à boneca mas a M. conseguiu ver além disso; viu que o olho afinal só estava fechado...
A vida é mesmo assim:
 "Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol ".(Pablo Picasso)

Obrigada M. por me teres lembrado como é importante ver o mundo na prespectiva mais colorida.

janeiro 09, 2010

Poesia à cor Branca

O branco é uma cor radiosa
Como a neve e as nuvens luminosas
E a espuma do mar
Onde nadam as sereias.
Há muitos animais desta cor
- Cisnes, gaivotas, até baleias!

Eu gostava de ir ao Pólo Norte
Onde vivem os ursos polares;
Brincar na neve gelada
Mas com tanto frio e geada,
Precisava de um casaco fofo e forte
Igual ao dos pinguins bebés
Se não acho que congelava!
(a.m.)

Reflectindo sobre o real envolvimento das crianças nas actividades de expressão plástica

Por vezes por detrás dos trabalhos plásticos expostos nas paredes das salas dos jardins-de-infância  ( por mais bonitos que sejam) parece haver um vazio enorme quer ao nível da efectiva participação e envolvimento da criança na elaboração dos mesmos; quer ao nivel da real significância que a actividade teve para a criança.

Urge questionar: que espaço existiu para a criatividade e para a descoberta? Porque será que o resultado final é semelhante para todas as crianças embora todas sejam diferentes? Será que todas as crianças têm de fazer as mesmas actividades?E da mesma forma?...

Nas actividades de expressão plástica na Infância não se deve esperar resultados perfeitos à visão do adulto; o que está em causa é a experiência, a aprendizagem, o prazer, as descobertas que a criança experimenta durante as actividades plásticas; o reforço da auto-estima ao sentir-se bem por ter conseguido criar, construir algo indpendetemente da aparência final se afastar dos padrões da perfeição dos adultos.
O adulto deve apoiar o processo mas não deve pressionar a criança.

As actividades plásticas deverão surgir contextualizadas nas vivências das crianças, partindo também das sugestões e interesses manifestados pelas crianças. Assim poderão tornar-se significativas para as crianças.

Durante as actividades plásticas as crianças devem ganhar confiança nas suas capacidades, desenvolver a motricidade fina bem como a criatividade e a imaginação.

Cabe ao educador admirar as obras das crianças; incentivá-las a criar, a experimentar; ajudá-las a sentirem-se felizes por criarem algo ainda que fique longe de padrões comuns de perfeição e beleza.

Afinal a beleza está nos olhos (e no coração) de quem a vê...


Reflexão sobre actividade plástica realizada em contexto de estágio:

«Porque são todos iguais os pintos musicais?                                                                      06-03-08



Esta semana, por sugestão da Bióloga comecei a desenvolver uma actividade que se integra na temática que tem vindo a desenvolver com as plântulas.
Sugeri-lhe então a construção de um pequeno pinto musical.
Curiosamente, ou talvez não, o que as plântulas mais gostam de fazer foi encher os copos com o grão que havia de ficar no interior do pinto; operação muito delicada que realizaram com muita concentração.
Começo a percebe-me como Bióloga conservadora; parece que eu não tenho uma relação lá muito amistosa com as paredes do jardim nem sequer com o tecto. Custa-me olhar para os objectos ali expostos a centímetros e centímetros das pequenas plântulas; tão longe; tão perto mas sem lhes puderem tocar, no fundo, tão inacessíveis quanto a lua.
Para mim qualquer actividade precisa de ter sentido para as plântulas, por mais simples que seja e depois, há tantas coisas, tantas hipóteses de criar… a imaginação não conhece limites por isso nós mesmo não os podemos estabelecer.
Ainda me falta aprender tanta coisa, questiono-me porque ficaram os pintos tão semelhantes; porque não dei oportunidade para que fossem multicolores; porque não perguntei a cada criança se queria que ele tivesse duas asas ou só uma? Sim, porque tem tudo de ser tão igual, tão padronizado, quando na verdade a Natureza à nossa volta nos mostra que a sua maior riqueza é a sua Biodiversidade?
(in Diário de Bordo "Expedição à Floresta-Jardim")

janeiro 08, 2010

2010 Ano Internacional da Biodiversidade

O termo diversidade remete para a diferença como “uma variação no todo”. A esse respeito, Gould, diz que “(…) o modelo de Full House ensina a dar valor à variação para seu próprio proveito, por razões que se prendem com a teoria evolucionista e com a ontologia da natureza, e não por falha de pensamento lamentável, que aceita todas as crenças no raciocínio absurdo de que discordar é desrespeitar.
A excelência é uma gama de diferenças, e não um ponto. Cada localização desta gama de pode ser ocupada por um representante excelente ou inadequado – e temos de lutar pela excelência em cada umas dessas localizações variadas.
Numa sociedade levada a impor, muitas vezes inconscientemente, uma mediocridade uniforme a uma riqueza de excelência anterior, uma sociedade em que o McDonald`s roubou o lugar ao jantar e o hipermercado eliminou o comércio tradicional, a compreensão e a defesa das gamas completas como sendo realidades naturais podem ajudar a estancar a maré e a preservar a rica matéria-prima de todo o sistema em desenvolvimento: a própria variação.”

(in Full House, a Difusão da Excelência de Platão a Darwin de S. J. Gloud))

janeiro 07, 2010

poema sobre a Esperança

Ser calmo, doce e suave
As tuas asas ainda que pousadas
Voam mais que ave fortemente alada

- Dorme, dorme até que a noite acabe...

E quando o amanhã se levantar
Dos teus sonhos brotarão flores
Dos teus olhos mil-cores
Que dissiparão dores
E que me farão Acreditar!

Ah, pequeno ser
Como és grande e nem o sabes!
O teu olhar e a tua paz
Fazem-me agora ver
Que o Universo é capaz
De mil sonhos tecer
Para isso, basta crer, crer e crer!

Angela Martins, 07-01-10

janeiro 05, 2010

Actividades de expressão plástica da Bebé: resumo

Até aqui a Bebé tem experimentado algumas explorações plásticas sendo que ainda, por razões de segurança, tem vindo a utilizar materiais inócuos.
Agora que a Bebé já fez 15 meses talvez possamos ampliar um pouco os materiais e as técnicas utilizadas...
Antes de iniciar esta nova etapa partilho aqui alguns dos resultados das experiências plásticas que a Bebé e eu experimentámos nestes últimos meses.
Devo dizer que estes momentos foram de aprendizagem  também para mim pois ao observar a Bebé em acção foi percebendo os seus interesses, dificuldades; percebendo que actividades poderiam vir em seguida; que novos materiais poderia a Bebé gostar de experimentar; que actividades e materiais deveria apresentar mais tarde. ..
Na verdade muitas das ideias para novas explorações surgiram aquando das actividades e na reflexão posterior sobre as mesmas.

Os materiais que usámos nas experiências plásticas e sensoriais têm sido essencialmente:
- água
- sumos em pó
- gelatinas e pudins em pó
- café e chocolate solúveis
- bolinhas para decorar bolos
- canela em pó
- doces de fruta
- iogurtes
- farinha
- cereais
- massas
- legumes/frutas
- folhas

A Bebé aprecia especialmente sentir e manipular as diferentes substâncias. Assim no início da exploração coloco à disposição da Bebé um conjunto de recipientes (pratos, copos, talheres) para que esta explore os materiais livremente. Normalmente as experiências realizam-se no chão para que o raio da acção da Bebé seja maior.
Por vezes participo nessa exploração usando alguns utnsílios novos para que a Bebé possa ver as diferentes possibilidades destes.
Depois coloco o suporte gráfico normalmente papel ou cartão e exemplifico a técnica plástica à Bebé. Normalmente ela inicia quase em simultâneo comigo a exploração da técnica.
Devo dizer que muits vezes a Bebé dá outros caminhos às explorações plásticas.
 O tempo de concentração nas actividades não é muito longo. É a bebé quem decide quando terminar as experiências plásticas. Na verdade, a Bebé dedica muito mais rempo à exploração dos materias do que ao registo plástico em si mesmo.
Mas o importante é que explore, experimente, sinta, se envola e aprecie estes pequenos momentos que para a Bebé são mais uma oportunidade de descoberta e experimentação ao longo do dia, tão relevantes como os momentos em que dançamos, lemos ou fazemos construções...

- Flocos de Neve

- Estrelinhas vegetais










- Colagem de Outono

  
- Carimbos de sumo e farinha

- Esfregão pintor


-Colagem Arco-Íris


janeiro 03, 2010

Conto: L. e a Estrelinha Azul Brilhante



Conto dedicado à Bebé que todas as noites enche o meu coração de luz e de gratidão


Numa noite muito fria uma estrela pequenina debruçou-se um pouco demais para espreitar o planeta Terra e sem saber como escorregou e caiu em direcção à Terra.
Atravessou a atmosfera gélida deixando atrás de si um clarão forte de luz azulada que iluminou a noite escura.
L. que todas as noites antes de dormir olhava o céu viu o rasto de luz da estrela e ouviu depois um som muito alto quando a estrela caiu no chão formando uma nuvem de pó brilhante e uma pequena cratera no centro do canteiro dos lírios.
Apressadamente L. desceu as escadas e foi ver quem tinha caído do céu.
Era uma estrela pequenina, azul e muito brilhante. L. reparou que um dos cinco braços da estrelinha se tinha quebrado com o impacto e, como tal, a estrelinha não conseguia voar.
Então com muito cuidado pegou na estrela, encostou-a devagar contra o seu corpo. Ajoelhou-se no meio dos lírios e procurou o braço da estrela que se tinha quebrado. Depois levou a estrela e o braço para o seu quarto.
E enquanto subia as escadas, L. lembrou-se que dentro da sua caixinha das Artes talvez houvesse haver algo que ajudasse a estrelinha…
Colocou cuidadosamente a estrela e o braço brilhante em cima da almofada e foi buscar à caixinha das Artes uma cola especial que ela mesmo tinha preparado do com a sua mãe há muito tempo quando L. ainda era um bebé pequenino.
 Era uma cola especial feita de farinha extrafina, água morna e amor em pó.
Então pegou no frasco e deitou três gotas da cola especial sobre o braço da estrela azul e uniu-o com muito cuidado à pequena estrela que logo, como por magia, começou a cintilar muito depressa e levantou voo até ao tecto do quarto seguindo depois a brisa fresca que entrava pela a janela aberta.
L. reparou então no enorme clarão azul brilhante que havia no céu sobre a sua casa.
Um milhão de estrelas tinham vindo procurar a estrelinha azul!
A estrela agitou os seus cinco braços em direcção ao céu e ergueu-se para levantar voo mas antes de o fazer desceu e com os seus braços envolveu o rosto pequenino de L., brilhando mais o que nunca.(É assim que se a diz obrigada na Língua das estrelas!)
L. viu então a estrelinha subir para além da atmosfera terrestre para se juntar à multidão de estrelas que já a esperava e todas juntas afastaram-se como uma enorme onda deixando atrás de si um clarão azul, brilhante que L. jamais havia visto no céu!
E todas as noites quando L. abre a janela do seu quarto para observar o céu vê a estrelinha azul brilhante que de muito longe, muito além da atmosfera, lhe acena enviando beijinhos cintilantes de luz azul, suave e brilhante...


Do céu azul profundo, além da escuridão
Caiu um dia uma estrela azul brilhante
Perdeu um dos braços entre os lírios no chão
E chorou ao ver o seu céu tão distante…
Mas na Terra L. a viu
E ao vê-la a estrelinha sorriu
L. da estrela azul cuidou
E com cola de amor o seu braço colou

Logo a estrela brilhando voou
E o rosto de L. tocou
Obrigada - disse, e à atmosfera subiu
Voando brilhante ao céu partiu

Mas todas as noites brilha na imensidão
Acenando com luz suave, cheia de gratidão
E L. sorri feliz ao vê-la
Pois no céu tem uma amiga que é Estrela!


Angela, 1 de Janeiro de 2010