fevereiro 12, 2010

Montessori na Creche

A importância da Empatia no olhar de um Educador

Qual a amplitude do olhar desse professor? Com que nível de empatia e encanto acolhe a linguagem infantil, destacando-a, elogiando-a e fazendo com que a criança descubra-se "importante" pelo trabalho que faz? Ainda uma vez, vale insistir sobre a imensa diferença que existe entre o elogio falso, entre a hipocrisia de se dar ênfase com a indiferença de quem segue uma rotina e o olhar verdadeiramente empático de quem sabe se encantar, ainda que esse encanto não dispense a correção. Professores inesquecíveis são todos aqueles que parecem possuir uma invisível "lente de aumento" descobrindo na produção de seus alunos a qualidade oculta, o detalhe relevante que destaca o elogio sincero.

Para uma criança, mas não só para crianças, todo elogio autêntico funciona como alimento essencial a auto-estima, como prova de que sendo capaz de despertar admiração de um adulto é "pessoa importante" e como tal ganha a garantia serena da proteção que, inconscientemente, reclama. Um olhar empático e atento, carregado de sincera admiração, pode não ser a única competência importante para um mestre, mas é sem dúvida uma competência imprescindível.
Celso Antunes

Método Montessori: educação, vida e educação para a vida

Especialmente voltado para a educação pré-escolar, o Método Montessori tem como principais objetivos as atividades motoras e sensoriais da criança, num trabalho individual que abrange também o aspecto da sociabilização. Partindo do concreto para o abstrato, está baseado no fato de que as crianças aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta do que pela imposição do conhecimento.

Para Montessori, o espírito da criança se forma a partir de estímulos externos que precisam ser determinados. Em seu método de ensino a criança é livre, mas livre apenas para escolher os objetos sobre os quais possa agir. Por isso, Montessori criou materiais didáticos simples e muito atraentes, projetados especialmente para provocar o raciocínio e auxiliar em todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem, tornando todo o processo muito mais rico e interessante.

Os objetivos individuais que o método propõe são fazer com que a criança encontre um lugar no mundo, desenvolva um trabalho gratificante e nutra paz e densidade interiores, para ter capacidade de amar.
Esses são os fundamentos de qualquer comunidade pacífica, formada por indivíduos independentes e responsáveis.

Neste contexto, o papel do educador é criar condições para que a criança atinja essas metas e desenvolva sua personalidade integral por intermédio do trabalho, do jogo, de atividades prazerosas e da formação artística e social.

No Método Montessori, a escola não é apenas um lugar de instrução, mas também de educação, de vida e de educação para a vida.



fevereiro 11, 2010

O método montessoriano na Creche e no Jardim de infância - aspectos gerais













Assistants to Infancy (0-3)

The first three years of life are the most fundamental in the development of human beings and their potential.
The infant's physical development is phenomenal and apparent and inspires our care and attention.
Yet a profound and less obvious development is taking place within the child.
Montessori refers to the child at this period as the spiritual embryo. A second embryonic period occurs after birth during the first three years of life when the child's intelligence is formed, when the child acquires the culture and language into which he or she is born. It is a period when the core of personality, social being and the essence of spiritual life are developed.
An understanding of the child's development and the development of the human mind allows environments to be prepared to meet the needs of the infant and foster independence, psychomotor development and language acquisition.

Communities for Children Under Three
For children under the age of three, there are several Montessori environments. Created especially for working parents, a Nido is an environment prepared for children from 2 or 3 months until they are walking well. The Parent-Infant class provides a setting in which parents and their children, aged two to sixteen months, are gathered under the care of a trained adult. After they begin to walk, the children join the toddler group where their primary motor coordination, independence and language are cultivated. Rather than a classroom, it is a nurturing environment where very young children experience their first structured contact with other children


Casa dei Bambini (3-6)
Children of this age possess what Dr. Montessori called the Absorbent Mind. This type of mind has the unique and transitory ability to absorb all aspects physical, mental, spiritual of the environment, without effort or fatigue. As an aid to the child's self-construction, individual work is encouraged. The following areas of activity cultivate the children's ability to express themselves and think with clarity.
Practical Life
Practical Life exercises instill care for themselves, for others, and for the environment. The activities include many of the tasks children see as part of the daily life in their home washing and ironing, doing the dishes, arranging flowers, etc. Elements of human conviviality are introduced with the exercises of grace and courtesy. Through these and other activities, children develop muscular coordination, enabling movement and the exploration of their surroundings. They learn to work at a task from beginning to end, and develop their will (defined by Dr. Montessori as the intelligent direction of movement), their self-discipline and their capacity for total concentration.
Sensorial
Sensorial Materials are tools for development. Children build cognitive efficacy, and learn to order and classify impressions. They do this by touching, seeing, smelling, tasting, listening, and exploring the physical properties of their environment through the mediation of specially-designed materials.

Language
Language is vital to human existence. The Montessori environment provides rich and precise language.
"When the children come into the classroom at around three years of age, they are given in the simplest way possible the opportunity to enrich the language they have acquired during their small lifetime and to use it intelligently, with precision and beauty, becoming aware of its properties not by being taught, but by being allowed to discover and explore these properties themselves. If not harassed, they will learn to write, and as a natural consequence to read, never remembering the day they could not write or read in the same way that they do not remember that once upon a time they could not walk."














Cultural Extensions
Geography, History, Biology, Botany, Zoology, Art and Music are presented as extensions of the sensorial and language activities. Children learn about other cultures past and present, and this allows their innate respect and love for their environment to flourish, creating a sense of solidarity with the global human family and its habitat.
Experiences with nature in conjunction with the materials in the environment inspire a reverence for all life. History is presented to the children through art and an intelligent music programme.

Mathematics
The mathematics materials help the child learn and understand mathematical concepts by working with concrete materials. This work provides the child with solid underpinnings for traditional mathematical principles, providing a structured scope for abstract reasoning.


Maria Montessori - Valorizar a pessoalidade de cada aluno

Segundo a visão pedagógica da pesquisadora italiana, o potencial de aprender está em cada um de nós
Poucos nomes da história da educação são tão difundidos fora dos círculos de especialistas como Montessori. Ele é associado, com razão, à Educação Infantil, ainda que não sejam muitos os que conhecem profundamente esse método ou sua fundadora, a italiana Maria Montessori (1870-1952). Primeira mulher a se formar em medicina em seu país, foi também pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento. "Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois percebeu que já nascemos com a capacidade de ensinar a nós mesmos, se nos forem dadas as condições", diz Talita de Oliveira Almeida, presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana.
Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino. Montessori defendia uma concepção de educação que se estende além dos limites do acúmulo de informações. O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma "educação para a vida". A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender – conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos.
O método Montessori é fundamentalmente biológico. Sua prática se inspira na natureza e seus fundamentos teóricos são um corpo de informações científicas sobre o desenvolvimento infantil. Segundo seus seguidores, a evolução mental da criança acompanha o crescimento biológico e pode ser identificada em fases definidas, cada uma mais adequada a determinados tipos de conteúdo e aprendizado.
Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter capacidade de amar. A educadora acreditava que esses seriam os fundamentos de quaisquer comunidades pacíficas, constituídas de indivíduos independentes e responsáveis. A meta coletiva é vista até hoje por seus adeptos como a finalidade maior da educação montessoriana.

Ambientes de liberdade
Ao defender o respeito às necessidades e aos interesses de cada estudante, de acordo com os estágios de desenvolvimento correspondentes às faixas etárias, Montessori argumentava que seu método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais eficiente do que os tradicionais. Os pequenos conduziriam o próprio aprendizado e ao professor caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial.
Por causa dessa perspectiva desenvolvimentista, Montessori elegeu como prioridade os anos iniciais da vida. Para ela, a criança não é um pretendente a adulto e, como tal, um ser incompleto. Desde seu nascimento, já é um ser humano integral, o que inverte o foco da sala de aula tradicional, centrada no professor. Não foi por acaso que as escolas que fundou se chamavam Casa dei Bambini (Casa das crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Foi nessas "casas" que ela explorou duas de suas idéias principais: a educação pelos sentidos e a educação pelo movimento.

Descobrir o mundo
Nas escolas montessorianas, o espaço interno era (e é) cuidadosamente preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o desenvolvimento da independência e da iniciativa pessoal. Assim como o ambiente, a atividade sensorial e motora desempenha função essencial – ou seja, dar vazão à tendência natural que a garotada tem de tocar e manipular tudo o que está ao seu alcance.

Método montessoriano na sala de aula:
As salas de aula tradicionais eram vistas com desprezo por Maria Montessori. Ela dizia que pareciam coleções de borboletas, com cada aluno preso no seu lugar. Quem entra numa sala de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão misturados a elas, observando ou ajudando. Não existe hora do recreio, porque não se faz a diferença entre o lazer e a atividade didática. Nessas escolas as aulas não se sustentam num único livro de texto. Os estudantes aprendem a pesquisar em bibliotecas (e, hoje, na internet) para preparar apresentações aos colegas.
Maria Montessori defendia que o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor. "A criança ama tocar os objetos para depois poder reconhecê-los", disse certa vez. Muitos dos exercícios desenvolvidos pela educadora – hoje utilizados largamente na Educação Infantil – objetivam chamar a atenção dos alunos para as propriedades dos objetos (tamanho, forma, cor, textura, peso, cheiro, barulho).
O método Montessori parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didáticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho. São objetos simples, mas muito atraentes, e projetados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.

Para pensar
O principal legado da italiana Maria Montessori foi afirmar que as crianças trazem dentro de si o potencial criador que permite que elas mesmas conduzam o aprendizado e encontrem um lugar no mundo. "Todo conhecimento passa por uma prática e a escola deve facilitar o acesso a ela", diz a educadora Talita de Oliveira Almeida. É o que Montessori chamou de "ajude-me a agir por mim mesmo". Outro aspecto fundamental da teoria montessoriana é deslocar o enfoque educacional do conteúdo para a forma do pensamento. As críticas mais comuns ao montessorianismo referem-se ao enfoque individualista e ao excesso de materiais e procedimentos construídos dentro da escola – o que dificultaria a adaptação dos alunos a outros sistemas de ensino e ao "mundo real". Os montessorianos argumentam que, ao contrário, o método se volta para a vida em comunidade e enfatiza a cooperação. E você? Acha que dar atenção individual aos alunos é um modo de contrabalançar a tendência contemporânea à massificação, inclusive do ensino?


fevereiro 08, 2010

Terrário simples para observar caracóis para crianças de 2 anos

Quando cheguei ao jardim com esta caixa que continha um pouco de terra, folhas de alface e alguns caracóis; as crianças ficaram muito curiosas. Perguntei o que achariam que estava dentro da caixa. Ao questioná-las sobre o nome da figura do animal que decorava o exterior da caixa responderam rapidamente "caracol!" mas quando retirei um caracol da caixa e o pôs na minha mão e perguntei o que era as crianças ficaram em silêncio, observando. Pois, a verdade é que muitas das crianças com 2 anos de idade nunca haviam visto um caracol vivo ou se o tinham visto não o identificaram como tal. Para elas a palavra caracol estava associada às imagens animistas que aparecem nos livros e filmes representativas deste animal! Isto fez-me pensar o quanto estamos longe da Natureza e como as crianças crescem tantas vezes sem observar e explorar o ambiente que as rodeia.
Por isso enquanto mãe proporcionei muito cedo a oportunidade para a Bebé tocar, ver e identificar os caracóis que aparecem no nosso caminho...afinal eles andam por aí, basta baixar-nos e não ter medo de sujar um pouco as mãos... (e como pode ser agradável sujar as mãos na terra mas só o sabe quem tem oportunidade para tal...)

Conto sobre a Metamorfose da lagarta em Borboleta

Ontem ao ver que as Magnólias principiaram já o seu florir; lembrei-me de um conto que escrevi em que uma velha Magnolia grandiflora presencia nos seus ramos a metamorfose das lagartinhas.
O fenómeno natural da Metamorfose é uma oportunidade fantástica (quase mágica) para descobrir o mundo natural. Escrevi este pequeno conto como base para uma actividade integrada onde se exploram e conjugam vários Domínios. Essa actividade teve inspiração num cd que faz parte de uma colecção fantástica intitulada "Enciclopédia da Música com bicho".

Nota:Devido à dimensão elevada da preparação teórica da actividade não vou partilhá-la aqui mas se alguém estiver interessado contacte-me)

 Conto: A Magnólia e as Lagartinhas

Há já alguns meses que aqueles estranhos ovos estavam escondidos por entre as folhas da velha Magnolia grandiflora. - Que haveria no seu interior? – Interrogava-se a grande árvore que já tinha guardado sobre as suas folhas verdes e lustrosas muitos outros animais.

Na noite anterior tinha ouvido qualquer coisa a revolver-se dentro dos ovos, num movimento suave que era cada vez mais constante. E, na manhã seguinte, algo de extraordinário aconteceu: a Magnólia ouviu estalar um a um os invólucros dos ovos. Lá de dentro saíram minúsculas lagartinhas verdes que apressadamente começaram a mastigar as suas folhas.

A velha Magnólia habituada a estas desconsiderações assentiu porque folhas tinha ela muitas; o que a preocupava verdadeiramente eram as suas flores que a cada Primavera eram cada vez menos.

As lagartitas foram crescendo, mastigando dia e noite as saborosas folhas lustrosas nos velhos ramos da Magnólia.

Assim se foram passando os dias; se fazia Sol e calor era debaixo das folhas que as lagartas se escondiam, e, quando no céu se ouviam trovões e a chuva ameaçava cair, era também sobe as folhas que as lagartas se abrigavam.

Até que um dia, já perto do Outono, a Magnólia reparou que as lagartinhas começaram a manifestar um comportamento estranho; em vez do ruído provocado pelo constante mastigar das folhas, aconteciam agora muitos momentos de silêncio nos seus ramos e, às vezes, até ouvia as lagartitas suspirar: - Que se passará com as estas lagartinhas? – Interrogava-se a velha Magnólia.

Por estas alturas as lagartas estavam já muito grandes e gordinhas. Rastejavam devagar e inesperadamente começaram a tecer um fio muito suave, claro, que brilhava à luz dourada do Sol de Outono. Como as lagartinhas eram de poucas conversas, a Magnólia limitou-se a observar o seu curioso comportamento. Além disso, dizia-se na floresta que as lagartas eram seres muito especiais pelo que não deviam ser incomodadas.

Com o passar dos dias as lagartinhas, uma a uma, encerraram-se dentro de um casulo que ficava escondido nos galhos da árvore. A Magnólia pensou: - Certamente estão a preparar-se para resistir ao frio do Inverno que aí vem…

O silêncio que reinava agora nos ramos da Magnólia era total. As suas folhas já tinham caído todas e o vento frio soprava pelos campos em redor da árvore. Toda a floresta parecia entrar num sono profundo.

Até que um dia o Sol ficou mais quente e os passarinhos começaram a chilrear. A Magnólia despertou do sono, agitou suavemente os seus ramos e, surpreendida, exclamou: - Que flores maravilhosas desabrocharam nos meus ramos! Reparou também que algo se agitava no interior dos casulos e começou a ouvir um estranho mastigar: - Será que são as lagartinhas a tentar sair do casulo para vir celebrar a Primavera? - Mas não, não eram as lagartinhas; algo de mais extraordinário aconteceu: saiu de dentro de cada casulo um ser de asas coloridas e de cara preta, frágil, de estranha beleza que, diga-se a verdade, não tinha quaisquer semelhanças com as lagartinhas verdes, gordas, feias e fartas que tinham tecido os casulos.

A Magnólia sabia muito bem que aqueles seres frágeis e leves eram as Borboletas. Lembrou-se que há muito, muito tempo, quando era ainda uma pequena e frágil plantinha, um desses seres enigmáticos tinha pousado nas suas primeiras folhas e lhe segredara:

- Magnólia, magnólia…
Árvore de flores grandiosas e folhas majestosas tu hás-de ser;
Porque também eu feia lagarta era
E em bela borboleta me transformei.

A Magnólia não acreditou em nenhuma dessas palavras, pensou que fora delírio daquele volúvel ser mas agora tinha assistido, com os seus próprios ramos, folhas e flores, a essa transformação.

A Magnólia observou, então, aqueles belos seres a estender as asas ao sol, a agitá-las depois suavemente e a mergulharem num voo perfeito sobre as suas flores. Assistiu, então, ao bailado colorido que aqueles seres faziam sobre as suas flores: ora agitavam alegremente a asa direita, ora a esquerda, ora pulavam agilmente de flor em flor, ora rodopiavam leves na brisa. Pareciam namoriscar entre si.

Até que, talvez por rodopiar tanto, algumas borboletas deitaram-se nas flores. Baixaram-se e um a um, começaram a por pequenos ovos:

- Mas são ovos iguais aqueles de onde saíram as lagartinhas! – Exclamou, admirada a velha magnólia.
As borboletas levantaram voo muito devagar, pareciam cansadas.
A magnólia ainda gritou a uma borboleta:

- Borboleta, borboleta,
D`asas às cores e cara preta,
Tu já foste uma lagarta
Verde, gorda, feia e farta *

Mas as borboletas já não lhe responderam e caíram lentamente no chão.

Até que, num dia luminoso de Verão, os pequenos ovos estalaram e apareceu uma pequena lagartinha. A magnólia disse-lhe baixinho:

- Lagartinha, lagartinha
De corpo mole e cara gordinha
Tu hás-de ser uma borboleta,
Bela, leve, frágil e leda!

-De ovo a lagartinha; de lagartinha a borboleta… que história fantástica aconteceu nos meus ramos! - Exclamava feliz a Magnólia para quem, apesar da sua longa idade, este fora sem dúvida o ano mais mágico da sua vida.

*Quadra retirada do cd intitulado “ Borboleta”, tomo II da Enciclopédia da Música com bicho

 

Vídeo: A amiginha do Pocoyo

A minha Bebé adora este vídeo do Pocoyo e a mim parece-me que este vídeo poderá ser um meio interessante para explorar a temática da Metamorfose com as crianças mais pequeninas:

janeiro 31, 2010

Ideias simples para um projecto sobre Astronomia no jardim de Infância

1- A caixa do Espaço
Caixa decorada com imagens do Espaço onde a longo do desenvolvimento do projecto se vão colocando objectos como livros, brinquedos relacionados com o Espaço. Pode ser muito útil para cativar o interesse das crianças pois nunca se sabe o que poderá haver de novo dentro da caixa...
As crianças também poderão trazer livros ou outros objectos relacionados com a temática e colocá-los na caixa 


2- Caderno de Registo


Caderno onde se pode colocar imagens, textos, pesquisas electrónicas, desenhos, etc sobre as temáticas que vão sendo exploradas ao longo do projecto.

3. Uso de modelos tridimensionais do sol, da Terra, da lua e de outros planetas












Ajudam a criança a visualizar espacialmente  e a compreender conceitos explorados.



Ideias e actividades para explorar a temática dos Extraterrestres no jardim de infância




Os extraterrestres povoam a imaginação das crianças, aparecem como heróis e vilões nos filmes que vêem, nos livros que lêem por isso esta temática é muito do agrado das crianças e é potenciadora de muitas actividades e aprendizagens divertidas. O limite é o infinito! Aqui ficam apenas algumas sugestões de actividades que fizeram parte do projecto "Uma viagem pelo espaço".

1. Ver vídeos; ouvir/cantar canções; assistir a dramatizações; explorar livros sobre extraterrestres. As crianças podem trazer de casa livros, videos, objectos sobre esta temática apresentando-os depois aos colegas

2.Conversa sobre os extraterrestres:- Sabem quem são os extraterrestres? Acham que existem? Como serão? Como seriam os seus planetas? Nós conseguíamos viver nesses planetas ou precisávamos de garrafas de oxigénio? Porquê?
Explicar que é possível que existam outros seres vivos a habitar o universo além dos seres humanos; desenvolver esta explicação com rigor científico, indo sempre ao encontro dos interesses e questões das crianças

3. Construção de um ET:Gostavam de conhecer um ET? Como seria ele? Vamos imaginar um só para nós?O seu corpo é diferente do nosso? De que cor é? Como poderia chamar-se? Como é o planeta onde vive? Para que lhe servem as características especiais do seu corpo?
- Registar as ideias das crianças numa folha de cartolina grande
Variantes possíveis da actividade: escrever e desenhar um esquema simples do extraterrestre à medida que as crianças o descrevem; fazer um esquema base da figura de um corpo numa folha de papel de cenário grande e cada criança acrescentava um pormenor ao corpo do extraterrestre…)
- Construir o ET usando diferentes materiais

4- Procurar ETs no jardim: esconder figuras de ETs, discos voadores no jardim e organizar uma expedição espacial para os encontrar

4- Organizar um lanche espacial com comida de outro mundo, adereços relacionados com a temática,...

5- Construção de um painel para fotografias relacionado com a temática


Sugestões de leitura:


É hora de deitar, mas o Gui não consegue dormir...
Ao espreitar pelo seu telescópio, ele vê que os seus amigos extraterrestres estão em apuros e precisam da sua ajuda para se irem deitar. O Gui parte assim velozmente para o espaço, montado no seu foguetão, para ajudar os seus amigos. O Gui é um Herói!
Uma história engraçada e colorida, com muitas possibilidades de interactividade, e que vai fazer com que a rotina de ir deitar pareça não só divertida, como também uma coisa fora deste mundo!

Era hora de deitar, mas o Pedro não conseguia dormir. Estava aborrecido e olhava para a Lua.
E o que o aborrecia? Na escola, a professora mandava sempre fazer trabalhos de casa, os amigos às vezes troçavam com ele, e até em casa, com os pais, tinha horas para tudo... até para brincar!
O Pedro desejava partir para um sítio onde pudesse fazer tudo o que lhe apetecesse e onde não o incomodassem. Esperou então uma estrela cadente passar, e, ao fechar os olhos, desejou viarjar até à lua, para sempre lá ficar...
«Se os desejos de todos os meninos se realizassem de cada vez que passa uma estrela cadente, era bem possível que todos eles estivessem, neste preciso momento, na Lua, deitados no meio de um rebanho de ovelhas branco e quentinho. Mas também era provável que, à semelhança do Pedro e depois de terem passado uns dias na Lua, os meninos tivessem saudades da mãe e do pai e de casa e da escola. Com palavras simples e sentimentos de muitas cores, Helena Simas escreve e ilustra ""Pedro e a Lua"". Uma história que nos fala não só da magia dos sonhos, mas também do despertar dos afectos - que faz com que os sonhos terminem sempre da melhor forma.» Inês de Barros Baptista, Directora da revista PAIS&Filhos"

Este é o segundo volume da coleção ESTRELA DE LAURA, sobre a menina que um dia descobre uma estrela muito especial, que se torna a sua grande amiga e confidente.
Laura e o seu irmãozinho, o Pedro, construíram um foguetão. Laura quer visitar a sua estrela especial e o Pedro quer encontrar as estrelas dos cães. E lá vão eles pelo espaço fora... Uma aventura mágica, pintada com aguarelas suaves e reconfortantes, cheia de estrelas reluzentes.
Uma história sobre o mundo maravilhoso dos sonhos, das engenhocas e da imaginação, com o qual as crianças se identificarão... e que aos adultos irá trazer muitas memórias de infância.


(texto e imagens  das Sugestões de leitura retirados de http://www.minutosdeleitura.pt/ )

janeiro 30, 2010

Brincar ao faz-de-conta ajuda no desenvolvimento do auto-controlo


Old-Fashioned Play Builds Serious Skills
by Alix Spiegel

It's interesting to me that when we talk about play today, the first thing that comes to mind are toys," says Chudacoff. "Whereas when I would think of play in the 19th century, I would think of activity rather than an object."
Chudacoff's recently published history of child's play argues that for most of human history what children did when they played was roam in packs large or small, more or less unsupervised, and engage in freewheeling imaginative play. They were pirates and princesses, aristocrats and action heroes. Basically, says Chudacoff, they spent most of their time doing what looked like nothing much at all.
"They improvised play, whether it was in the outdoors… or whether it was on a street corner or somebody's back yard," Chudacoff says. "They improvised their own play; they regulated their play; they made up their own rules."
But during the second half of the 20th century, Chudacoff argues, play changed radically. Instead of spending their time in autonomous shifting make-believe, children were supplied with ever more specific toys for play and predetermined scripts. Essentially, instead of playing pirate with a tree branch they played Star Wars with a toy light saber. Chudacoff calls this the commercialization and co-optation of child's play — a trend which begins to shrink the size of children's imaginative space.
But commercialization isn't the only reason imagination comes under siege. In the second half of the 20th century, Chudacoff says, parents became increasingly concerned about safety, and were driven to create play environments that were secure and could not be penetrated by threats of the outside world. Karate classes, gymnastics, summer camps — these create safe environments for children, Chudacoff says. And they also do something more: for middle-class parents increasingly worried about achievement, they offer to enrich a child's mind.

Change in Play, Change in Kids
Clearly the way that children spend their time has changed. Here's the issue: A growing number of psychologists believe that these changes in what children do has also changed kids' cognitive and emotional development.
It turns out that all that time spent playing make-believe actually helped children develop a critical cognitive skill called executive function. Executive function has a number of different elements, but a central one is the ability to self-regulate. Kids with good self-regulation are able to control their emotions and behavior, resist impulses, and exert self-control and discipline.
We know that children's capacity for self-regulation has diminished. A recent study replicated a study of self-regulation first done in the late 1940s, in which psychological researchers asked kids ages 3, 5 and 7 to do a number of exercises. One of those exercises included standing perfectly still without moving. The 3-year-olds couldn't stand still at all, the 5-year-olds could do it for about three minutes, and the 7-year-olds could stand pretty much as long as the researchers asked. In 2001, researchers repeated this experiment. But, psychologist Elena Bodrova at Mid-Continent Research for Education and Learning says, the results were very different.
"Today's 5-year-olds were acting at the level of 3-year-olds 60 years ago, and today's 7-year-olds were barely approaching the level of a 5-year-old 60 years ago," Bodrova explains. "So the results were very sad."
Sad because self-regulation is incredibly important. Poor executive function is associated with high dropout rates, drug use and crime. In fact, good executive function is a better predictor of success in school than a child's IQ. Children who are able to manage their feelings and pay attention are better able to learn. As executive function researcher Laura Berk explains, "Self-regulation predicts effective development in virtually every domain."

The Importance of Self-Regulation
According to Berk, one reason make-believe is such a powerful tool for building self-discipline is because during make-believe, children engage in what's called private speech: They talk to themselves about what they are going to do and how they are going to do it.
"In fact, if we compare preschoolers' activities and the amount of private speech that occurs across them, we find that this self-regulating language is highest during make-believe play," Berk says. "And this type of self-regulating language… has been shown in many studies to be predictive of executive functions."
And it's not just children who use private speech to control themselves. If we look at adult use of private speech, Berk says, "we're often using it to surmount obstacles, to master cognitive and social skills, and to manage our emotions."
Unfortunately, the more structured the play, the more children's private speech declines. Essentially, because children's play is so focused on lessons and leagues, and because kids' toys increasingly inhibit imaginative play, kids aren't getting a chance to practice policing themselves. When they have that opportunity, says Berk, the results are clear: Self-regulation improves.
"One index that researchers, including myself, have used… is the extent to which a child, for example, cleans up independently after a free-choice period in preschool," Berk says. "We find that children who are most effective at complex make-believe play take on that responsibility with… greater willingness, and even will assist others in doing so without teacher prompting."
Despite the evidence of the benefits of imaginative play, however, even in the context of preschool young children's play is in decline. According to Yale psychological researcher Dorothy Singer, teachers and school administrators just don't see the value.
"Because of the testing, and the emphasis now that you have to really pass these tests, teachers are starting earlier and earlier to drill the kids in their basic fundamentals. Play is viewed as unnecessary, a waste of time," Singer says. "I have so many articles that have documented the shortening of free play for children, where the teachers in these schools are using the time for cognitive skills."

It seems that in the rush to give children every advantage — to protect them, to stimulate them, to enrich them — our culture has unwittingly compromised one of the activities that helped children most. All that wasted time was not such a waste after all.

Better Ways to Play
Self-regulation is a critical skill for kids. Unfortunately, most kids today spend a lot of time doing three things: watching television, playing video games and taking lessons. None of these activities promote self-regulation.

We asked for alternatives from three researchers: Deborah Leong, professor of psychology at Metropolitan State College of Denver, Elena Bodrova, senior researcher with Mid-Continent Research for Education and Learning, and Laura Berk, professor of psychology at Illinois State University.

Here are their suggestions:
Simon Says: Simon Says is a game that requires children to inhibit themselves. You have to think and not do something, which helps to build self-regulation.

Complex Imaginative Play: This is play where your child plans scenarios and enacts those scenarios for a fair amount of time, a half-hour at a minimum, though longer is better. Sustained play that last for hours is best. Realistic props are good for very young children, but otherwise encourage kids to use symbolic props that they create and make through their imaginations. For example, a stick becomes a sword.


vide texto integral em

janeiro 29, 2010

Reflectindo sobre a importância da educação de infância

No hay etapa más decisiva, a mi juicio, en el sistema educativo, que la infantil. Los aprendizajes que en ella se realizan tienen una repercusión decisiva sobre la vida de las personas. Se trata de una etapa de una gran plasticidad en la que las influencias abarcan las dimensiones más variadas, ricas y profundas del ser humano.
Los profesionales que se dedican a esta delicada tarea (mujeres en su mayoría) suelen ser personas con una preparación, una dedicación y una creatividad extraordinarias. Creo que el sistema educativo, en el que las bisagras entre etapas están tan mal engrasadas, va sufriendo una erosión didáctica a medida que se va avanzando. Por eso me parece pintoresca la expresión de prepararse para la Universidad, a no ser que se equipare a prepararse para la adversidad o para la guerra.
Vale lo que digo para la organización de los espacios, para las relaciones interpersonales, para la atención a la diversidad, para el ingenio en la metodología, para la producción de materiales… Los espacios de la educación infantil están llenos de colores, no es imaginable que una maestra de infantil no se sepa el nombre (y hasta el cumpleaños) de los niños, las iniciativas novedosas con constantes, los afectos se expresan con facilidad, la creatividad para confeccionar materiales es inagotable… Claro que la preparación didáctica de los profesionales sigue una progresión descendente a medida que se avanza en el sistema educativo, Más en infantil y primaria, menos en Secundaria y Bachillerato y nula en la Universidad.

La producción didáctica de quienes trabajan con niños y niñas de 0 a 6 años está siendo no sólo abundante sino de enorme interés pedagógico. Voy a referirme a dos obras, entre muchísimas otras, que tienen para mí un peculiar interés. Me refiero a “Mi escuela sabe a naranja”, de Mari Carmen Díez Navarro y “Tú sí que vales”, de Monserrat Espert y M. Carme Boqué.
Hace unos días le oí contar a Carme Boqué, con el encanto natural que la caracteriza y con la pasión por la enseñaza que desborda, una hermosa y significativa historia que las autoras presentan en el libro antes citado. Para hacer el tipo de intervención que en ella se narra hace falta capacidad de observación (suelo decir que los maestros somos los profesionales de la observación), sensibilidad, ingenio y ternura a grandes dosis. Aquí va la historia.
“Desde hace un par de semanas Quimi está triste y ensimismado, en lugar de jugar busca la compañía de los adultos, el trabajo no le sale como siempre, habla poco y canta con desgana.
Su maestra le observa cada día más de cerca: ¿qué le debe pasar? ¿Problemas en casa? ¿Celos del hermanito? ¿Dolor de estómago? Hasta que un día encuentra la respuesta donde nunca la habría buscado: en una conversación cazada al vuelo entre Quimi y su amigo Jorge:
- Si no me das tus pegatinas, mi hermano mayor, que va a quinto, te matará, amenaza Jorge.
- Si no me dejas el rotulador verde, mi hermano mayor, que va a quinto, te matará, insiste Jorge.
- Si tocas el coche de bomberos, mi hermano mayor que va a quinto, te matará, prohíbe Jorge.
Quimi, con el miedo en el cuerpo, se desprende de las pegatinas y el rotulador verde y se aleja temeroso del coche de bomberos.
A primera hora de la tarde, los pequeños reciben la visita in esperada de un invitado muy especial: el hermano mayor de Jorge. Todo el mundo le saluda excepto Quimi, que mira hacia el suelo, y Jorge que no acaba de ver claro qué pinta su hermano en su clase.
Le hacemos varias preguntas: cómo se llama, si le gusta la escuela, qué cosas importantes hace en quinto, si recuerda cuándo iba a párvulos, cuál es su música preferida, si es bueno jugando al fútbol, y por último, también le preguntamos si mata a personas. El niño pone cara de susto y nos responde, muy convencido, que no.
- ¿Ni una, no has matado nunca ni una?, insiste la maestra.
- ¡Noooo!, niega extrañado el niño.
- Pues entonces, ¿qué haces cuando tienes un problema con alguien?, pregunta nuevamente la maestra.
- Yo soluciono los problemas hablando y haciendo las paces, declara el niño.
Veo que eres una gran persona y un buen amigo para todos los niños y niñas de esta clase. Ven a vernos cuando quieras, guapo, acaba la maestra.
Quimi sonríe y respira tranquilo. En cambio Jorge se da cuenta de que se ha acabado la bicoca.
Aquella misma tarde, en el rincón de construcciones, coinciden Quimi, Jorge…y la maestra, que sigue atenta sus charlas.
- Hoy, cuando vayamos a la piscina, mi padre te pondrá un vestido de hierro y te tirará al agua, dice Jorge con actitud de perdonavidas.
Quimi, con los ojos bien abiertos, vuelve a temblar. La terrorífica escena se apodera de su imaginación y no ve escapatoria alguna.
La maestra, tranquila, pero muy seria, mira a Jorge de hito en hito y le pregunta:
- ¿Crees que deberíamos invitar a tu padre a nuestra clase?
Jorge enrojece: le han pillado por segunda vez diciendo una mentira para aprovecharse del miedo de su amigo. Sabe perfectamente que eso no está bien.
La maestra despeina los cabellos castaños de Quimi. Y, pasando la mano por los hombros de Jorge, explica: el hierro parece muy fuerte, ¿verdad?, pero con el agua se oxida. En cambio una amistad muy grande, muy grande, no se oxida nunca, porque es de oro puro”
Sin gritos, sin amenazas, sin violencia, sin castigos, que reproducen la actitud del niño amenazador, se consigue le reflexión. Con ingenio, con paciencia, con ternura se busca la mejora. Y luego se escribe para compartir. ¿A qué padres no les gustaría que su hija tuviera una maestra como ésta? En el libro se exponen los pasos para trabajar con situaciones de este tipo: buscar, encontrar, ensayar y enmarcar los valores. Pasos que conducen, por el camino del razonamiento y del compromiso, al territorio de la ética. Hermosa tarea. Hermoso libro. Hermosa gente.

Miguel Ángel Santos Guerra

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