dezembro 11, 2010

Vivências de Natal em casa da avó V.

Uns dias em casa da avó V. e tanta diversão!
Acordar de manhã e saltar como um canguru (saltaru) em cima de uma colcha de malha tricotada pela trisavó da Bebé!
A L. divertiu-se também a procurar e identificar diferentes cores nesta colcha de família.


Fazer (desfazer) o presépio foi também um grande momento de exploração. O contacto com as diferentes texturas (líquenes, madeiras, pedras); a manipulação dos diferentes objectos; proporcionaram à Bebé importantes explorações.
A L. deu vida e voz às personagens do presépio. Inventou verdadeiras histórias; movimentou as personagens no cenário relvado. Foi muito divertido!

É tão bom quando as pessoas percebem a importância de dar este espaço de liberdade para a criança brincar, imaginar...
A avó V. deu igualmente espaço de liberdade, de tempo e de oportunidade para a L. colocar ela mesma os enfeites na árvore; mesmo que estes não fizessem parte da decoração prevista para a árvore...

A L. teve igualmente oportunidade de fazer bolinhos com a avó e a bisavó C. e mais uma vez deram-lhe espaço e tempo para tocar, sentir, explorar, experimentar; numa palavra deixaram-na PRATICIPAR.




Poderíamos nós ter melhor família? Aquela que reconhece e aceita o outro na sua diferença, respeitando a sua própria pessoalidade mesmo que tenha ainda apenas 26 meses de vida!
Obrigada, Avós, por serem tão maravilhosas (e preciosas).

Jogando e Imaginando à luz de uma lareira...

 Numa noite em que o sono tardou, estendemos uma manta junto à lareira e sentámo-nos juntas a brincar...

Lemos muitos livros entre estes o livro " Viva o peixinho", um livro fantástico que recomendo vivamente, cujo potencial educativo é quase ilimitado.
A L. quis fazer o puzzle que "reciclei" (pintei a parte detrás de um puzzle antigo) baseando-me nas ilustrações fantásticas deste livro.

Em seguida L. quis fazer o jogo da árvore de Natal.
Na verdade este jogo é um objecto que encontrámos na casa da avó V. em Agosto escondido num armário. Penso que faria parte das decorações natalícias mas a L. utiliza-o deste então como jogo e na verdade a montagem desta árvore é um excelente exercício de motricidade fina, raciocínio e visualização espacial.
Depois como estavamos perto da lareira explorámos troncos e pinhas.
Explorámos as suas propriedades (texturas, sons, peso, forma, tamanho) e outras particularidades como os anéis concêntricos de crescimento.

Usámos giz para  pintar um tronco. Seguimos as marcas concêntricas do tronco; tentámos desenhar sobre as diferentes texturas do tronco (zonas lisas, zonas rugosas...)
A L. surpreendeu-me quando pegou num tronco delgado e disse: "- Parece o tinca-espinhas!" (peixe que aparece ilustrado no livro "Viva o peixinho" que anteriormente tinhamos lido).
As crianças são observadoras excelentes, de facto.

Depois a L. incorporou os troncos e pinhas nos seus jogos dramáticos com os pequenos bonecos e demorou-se nesta actividade.

Construiu uma casa na floresta, com escorregas e uma torre muito alta a que chamou "torre do mundo".
Não imagino de onde lhe surgiu a inspiração para tal nome. Na verdade a L. tem uma imaginação muito fértil; ela envolve-se totalmente num mundo de fantasia, narrando contos e diálogos entre os bonecos e os cenários que cria.

E a noite que já ia longa terminou com a L.a ouvir o mar dentro de um búzio grande frente à luz do lume que já findava...e perguntou:

"-  mamã o mar tá aqui dentro?"

 - Poderá concha tão pequena conter um mar tão grande? Poderá ser tão pequeno conter alma tão grande?

 (Amo-te, muito minha pequena alma grande). 

dezembro 01, 2010

Passeios de Outono no parque: incentivar o jogo simbólico da Bebé

Há algumas semanas começámos a construir o nosso parque de Outono usando as folhas, paus, frutos que apanhámos nos nossos passeios de Outono.

Construímos as nossas árvores usando rolos de papel de cozinha que pintámos e onde colámos pedaços de folhas naturais que cortámos e rasgámos.

Também usámos pequenas esferas de papel para fazer as folhas noutra árvore.
O chão do parque foi feito com um pedaço de cartão grosso que pintámos e onde colámos outros elementos da Natureza.
Este parque tem sido cenário para grandes passeios e conversas para os bonecos da L.

Na verdade, ela cria e narra verdadeiras acções.

De tal forma que ás vezes os pequenos bonecos têm de se abrigar dos fortes ventos outonais (a L. usa uma grande folha de plátano como leque para fazer vento):
...e por vezes até têm de fugir de uma grande chuvada! :)

...mas, em geral, os bonecos podem desfrutar de calmos passeios de Outono neste parque, onde podem apreciar e conversar sobre as transformações da Natureza!

novembro 23, 2010

Jogo simples para o reconhecimento de formas

Para fazer este jogo basta moldar diferentes formas com arame revestido e recortar diferentes formas e papel ou noutro material.
Neste caso usei cartão onde colei tecidos com diferentes texturas e padrões.
Também puderemos usar objectos reais para colocar no interior das formas moldadas.
É muito simples de construir e a Bebé aprecia muito este jogo.

Jogo feito em casa para a Bebé experimentar a reprodução de figuras

Este jogo consiste num tabuleiro grande (base de bolos de aniversário pintada) onde colocámos figuras com velcro que representam casas, janelas, telhados e portas de diferentes tamanhos e formas.
A Bebé pode colar/descolar os diferentes elementos e compor diferentes casas.
O quadro amarelo mais pequeno possuí  figuras recortadas em feltro semelhantes às figuras do tabuleiro grande mas em tamanho mais reduzido.
Estas figuras não têm velcro.

O que se pretende é que a Bebé reproduza no tabuleiro grande as figuras criadas no quadro menor ou vice-versa.
Este jogo envolve a exploração de diferentes conceitos e competências; nomeadamente, a exploração das cores, das formas, dos tamanhos; o reconhecimento e reprodução de imagens; a destreza fina; o raciocínio lógico-espacial.

novembro 22, 2010

Começando a construir o sentido de número

Embora a L. já identifique há algum tempo os diferentes algarismos; o sentido de número está ainda em plena construção.
Na verdade para quantidades até três, a Bebé evidencia algum sentido mas acima dessas quantidades a Bebé parece desinteressar-se.
Há já algum tempo que de um modo lúdico temos vindo a desenvolver actividades simples que ajudem a L. a desenvolver o sentido de número.
Nesta actividade começámos por colocar e identificar os algarismos até cinco. Depois desenhámos círculos correspondentes a cada número.
A Bebé quis desenhar o terceiro círculo correspondente ao número três:
Depois fomos procurar objectos para colocar nos diferentes círculos.

A Bebé quis colocar os algarismos de "espuma" junto dos algarismos de papel e quis desenhar o número 1 que mais parece um Z :)
Que eu desse conta; foi a primeira vez que a L. desenhou intencionalmente um algarismo.
Nestes últimos dias a L. tem revelado uma evolução assinálavel em termos de competências cognitivas, linguísticas, matemáticas e sociais.

Cada vez se nota mais também a organização do seu pensamento e do seus comportamentos.
De facto, no terceiro ano de vida assistimos a um desenvolvimento extraordinário na criança.

As crianças pequenas sabem e sentem muito mais do que aquilo que nós às vezes conseguimos ver.

É preciso estar atento e disponível para auxiliar as crianças nesta enorme evolução e transformação.
Pois apesar deste extraordinário desenvolvimento cognitivo; emocionalmente as crianças de 2 anos ainda precisam de muito suporte afectivo e responsividade...
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novembro 21, 2010

Organizando o espaço de jogo livre da Bebé

A Bebé é fascinada por objectos pequenos nomeadamente pequenos animais, carrinhos e figuras (mais ou menos :)) Humanas.
 Então há algum tempo atrás pensei numa forma para ajudar a Bebé a organizar estes seus pequenos amigos.

Na verdade, esta organização por categorias mais ou menos restritas, dispostas em pequenos "armários" abertos, colocados à altura da Bebé revelou-se muito eficaz quer em termos de autonomia na organização do espaço, quer como potenciador do próprio jogo da Bebé.
Na verdade, estes pequenos "armários" são caixas de cartão que tinhamos cá por casa para reciclar.
A Bebé participou na elaboração dos armários experimentando técnicas de colagem e pintura  mas mais importante que isso, viu como a partir de algo simples e gratuito pudemos criar algo que se revelou bastante útil no dia-a-dia.

Os animais estão organizados segundo diferentes características nomeadamente habitats (animais da Savana, Selva, dos Glaciares e dos Oceanos); temos também os animais da quinta  e os Dinossauros.

Os objectos que representam pessoas ou outras figuras personalizadas foram colocados juntos embora, a mim, confesso que me faz um pouco de confusão a L. tratar o boneco da m&m pelo nome de "senhor m" e de este assumir características de verdadeira pessoa (acrescente-se o facto de a L. nunca ter comido nem mesmo visto um m&m na sua vida :)!
 Os carrinhos e outros veículos bem como os "sinhores Bombeiros" e Polícias foram colocados num armário à parte grande pois estes objectos são muito importantes para a L. que cria já verdadeiros jogos dramáticos com estes.
Estes bombeiros já salvaram imensa gente e até animais! :) E repare-se que estes bombeiros são na verdade figuras que há muitos anos tinham saído numa caixa de cereais e que julgo representarem guerreiros robotizados ou algo semelhante :)
O que interessa é que aos olhos da L. são bombeiros corajosos sempre prontos a salvar alguém em perigo com a sua mangueira que na verdade é um cordão vermelho de enfiamentos...

A imaginação é um mundo sem limites...sem impossíveis de alcançar e de ser...

Emoções que sentimos e que os outros também sentem

Perceber o que sentimos e o que os outros sentem é uma aprendizagem contínua e muito importante ao longo de toda a nossa vida.

Para ajudar a L. nessa descoberta elaborámos um pequeno livro com recortes de imagens de rostos de pessoas que representam diferentes expressões.

O livro tem um pequeno "espelho" feito com papel reflector que permite à Bebé experimentar diferentes expressões faciais.

Um deste dias a prima L. ofereceu à L. este jogo. É um jogo potenciador de muitas aprendizagens e a Bebé adora-o.
Vi no jogo uma oportunidade para explorar as emoções em conjunto com o livro.

Tentámos identificar as expressões evidenciadas nas peças do jogo e organizá-las segundo as diferentes emoções expressas.
Tentámos fazer uma correspondência entre as peças do jogo e as figuras do livro.
A L. envolveu-se bastante nesta actividade. Na verdade, ela é bastante atenta às emoções das pessoas que a rodeiam.
muitas vezes chega perto de  mim e diz: -"`Tás feliz, mamã?... `Tás aborecida?"

É muito importante desenvolver desde cedo estas competenciais sócio-emocionais que nos permitem identificar, perceber e inter-agir quer com as nossas próprias emoções quer com as das outras pessoas; mas tal pode ser algo difícil especialmente quando se tem 26 meses e tudo e todos parecem girar à nossa volta! :)

De qualquer forma, Bebé, acho que te estás a saír muito bem nesta aprendizagem tão difícil.
Obrigada por te preocupares comigo e por me dares tantos abraços e mimos quando reconheces que preciso!
ADORO-TE, muito.

novembro 17, 2010

Organizando cores

A organização do ambiente é algo que condiciona de forma decisiva as aprendizagens e as explorações vividas.

De modo a promover na L. o sentido de organização e autonomia construímos uma  caixa para guardar e organizar os lápis e marcadores.
Na verdade usámos simplesmente caixas de cartão que tínhamos para reciclagem copos de iogurte que forrámos com papéis de diferentes cores.
Os lápis são classificados por cor nos diferentes copos e existe uma sequência para colocar  os diferentes copos na caixa.

A L. é muito responsável no que diz respeito à colocação dos lápis no respectivo copo, embora ainda tenha alguma dificuldade em colocar os copos na sequência pré-estabelecida.
Esta organização dos lápis segundo a cor favorece a automia da Bebé quer na escolha da cor que quer usar quer na arrumação dos materiais.

Além disso como cada copo possuí lápis com diferentes tons para uma dada cor, a Bebé pode experimentar as diferentes tonalidades, discriminando e descobrindo gradualmente os conceitos de claro-escuro.

Ás vezes usámos os copos em actividades diferentes como esta onde a L. foi procurar objectos da mesma cor que cada copo:

Note-se que os objectos que ficaram no meio foram aqueles que a Bebé teve dificuldade em associar a um copo específico.
é interessante constatar como a Bebé tentou encontrar uma solução para este problema, chegando à conclusão que estes objectos como não tinham uma cor predominante deveriam ser colocados num "conjunto" diferente.


Na verdade, por vezes as maiores descobertas não são aquelas que nós previamos à partida mas aquelas que a criança, partindo do seu saber, acção e reflexão consegue levar a cabo por si mesma divergindo e amplificando o inicialmente proposto.




novembro 15, 2010

Bebé Botânica; filha de mãe Jardineira :)

A Bebé cuida " a sério" das suas plantas! É uma jardineira exímia e preocupada com o bem-estar destes pequenos seres vegetais.
Na verdade desde que semeámos o pequeno feijão e  plantámos o "pinheirinho Bebé" como ela lhe chama; a L. passou a vê-los como algo que deve proteger e cuidar pois são muito "fagéis".
Certo dia resolvemos pintar os vasos das pequenas plantas.
 Devo dizer que me surpreendeu o modo dedicado e concentrado da Bebé ao pintar os vasos das plantas; fê-lo com extremo cuidado, com enorme empenho.

...E a Bebé verifica diariamente com a sua lupa o crescimento destes vegetais.
Quando eu era criança a primeira profissão que me lembro querer ser foi jardineira; jardineira de plantas.
Tive quase para ser Botânica mas acabei por me transformar numa jardineira de Infância.

Puderia eu ter vocação mais bela do que cuidar de pequenas plântulas humanas?
De certo, não.

Enquanto estudei Biologia aprendi a observar sistematicamente as células no silêncio de um microscópio; na quietude de um jardim; na frescura das águas de um lago.

Agora aprendo também a guardar silêncio para puder ouvir, observar, conhercer e comprender as crianças.

No fundo, a Pedagogia da Escuta, provém na sua essência da capacidade do adulto para ouvir; na capacidade do adulto se silenciar para deixar ouvir a Pessoa que reside em cada criança...

E a L. lá vai dando os seus passos com vista a uma autonomia crescente.

Ás vezes fica só, a explorar e vou dar com ela, parada com a sua lupa, a investigar as coisas e o mundo...

E depois, com a sua vozinha suave diz-me: - " mamã olha; está muito grande!