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fevereiro 11, 2011

Liberdade para aprender; liberdade para crescer...

O Caderno do Jardim tem sido uma presença constante nos nossos passeios de campo.

A L. tem recolhido material e feito as suas "anotações cientificas" in loco.

Aqui depois de colher alguns capítulos de Leucanthemum (?) constatou que as suas flores lhe tinham sujado a mão de amarelo luminoso.
Depois de colher as amostras e de colocá-las no caderno; a L.  friccionou a parte central de um capítulo sobre o papel e observou que no papel ficara uma grande mancha amarela, semelhante aquela que tinha na mão.

 Talvez um dia falaremos de pigmentos, de flores compostas, de capítulos...

...Por agora é tempo:

 ...de sentir, tocando...

 
...de experimentar, testando...

...de aprender,  fazendo...

 
...de sorrir, brincando...

...de crescer, libertando.

janeiro 17, 2011

Explorações ao ar livre: a mochila do jardim

A L. e eu adoramos o contacto com a terra e com o ar livre.

Sempre que o dia está ameno descemos ao jardim.
Agora que a L. está mais crescida as suas explorações começam a ser mais sistemáticas e científicas!
E há tanto para explorar e descobrir, especialmente quando não se tem medo de sujar as mãos , nem os pés nem a roupa!...

Assim, como as idas ao jardim começam a ser mais regulares com o aproximar da Primavera (ainda falta eu sei, mas já se vai sentido a diferença nos dias...); eu e a L. organizámos a mochila do Jardim:


 Então nessa mochila temos:
1. Lupa; que nos permite ver as coisas muito maiores;
2. Tesoura; material muito usado no jardim pela L.: serve para cortar um pouco de tudo, nomeadamente relva, flores, folhas...

3. Caixa para recolha de amostras; nesta caixa a L. coloca os seus "pequenos tesouros" que vai descobrindo e que poderemos usar em colagens, contagens, etc;
 
(aqui a L. fez questão de ir ao jardim libertar uma pequena lagarta que descobrimos dentro de uma nóz! :) ; na foto em baixo podem ver o grande momento de libertação da lagarta!)
4. Caderno de Campo: construído por nós; com materiais reutilizados; contém bolsas próprias para amostras e materiais (fita-cola, pedaços de papel, molas e lápis);
5. Caixinha com lápis; usados para desenho ao ar livre e noutros registos;




A seguinte imagem reúne tudo o que temos na mochila do Jardim:

Em baixo, um exemplo de um pequeno registo que efectuámos após uma saída ao jardim.

Este registo foi uma forma simples e rápida de conversarmos e consolidarmos as experiências vividas no jardim. Foi um momento importante pois a L. recordou e narrou as experiências vividas; como se de uma  história icónica e verbal se tratasse.
Nesta saída ao jardim, desenhámos ao ar livre sentadas nas escadas, registando o que observávamos; a L. suprendeu-me quando pegou no lápis; olhou para o céu e o representou no papel dizendo; -" Aqui em cima `tá o céu azul".

A L. quis colher pequenas flores e folhas de Oxalis para o Papá; folhas em forma de coração para o Papá S. ...

(L. são estes pequenos momentos, gestos e palavras tuas que quero perpetuar na minha memória e neste blogue para que um dia posssam, quem sabe, chegar ao teu corção de algum modo...)

Estes momentos ao ar livre são sempre tão enriquecedores pois envolvem a criança de um modo global, abrangente, tocando várias esferas do desenvolvimento; sendo que a criança se sente livre para explorar, focando-se nos seus reais interesses

dezembro 15, 2010

A Natureza fonte de inspiração, descoberta e aprendizagem

A Natureza é um contexto multiplicador de aprendizagens proporcionando à criança a possibilidade de observar, experimentar, sentir, reflectir, fruir numa acção directa entre si e mundo.

A L. sabe aproveitar estes momentos na Natureza e vive-os com intensidade e plenitude.
Vivemos num país lindo com um clima fantástico que nos possibilitou um passeio claro, quente, luminoso em meados do mês de Dezembro.

Primeiro que tudo a L. quis correr, dançar, rodopiar no vento e na areia.
Desafiei-a depois a pegar num ramo  e desenhar sobre a areia endurecida pela chuva; desenhei um círculo e ela desenhou o dela mais pequeno ao lado do meu usando as próprias mãos.
Depois colhemos pequenos caules secos de herbáceas e colocámo-los em fila na areia; pareciam pequenas árvores cujas sombras se alongavam na areia; escrevi os algarismos e contamo-las.
Depois a L.quis explorar as plantas vivas e... constatou in loco que algumas plantas picam;
...e que outras são suaves e voam com sementes aladas no vento de um sôpro...
Tal como qualquer cientista a L. quis testar as leis da física; atirando rochas ao riacho:

...e atirando rochas a uma poça de água alanrajada pelos minerais da argila.
Depois de sujar os pés na lama quis sujar as mãos para investigar umas rochas no chão; eram redondas algumas, pesadas, de cores diferentes; algumas tinham insectos debaixo delas; outras estavam cobertas de líquenes...outras pareciam grandes ovos (...talvez de avestruz?!...)

Depois foi hora de reflectir, ouvindo o estalar das folhas castanhas, ressequidas no chão sob as raízes dos grandes choupos...

E no silêncio da observação encontrámos "x" enormes que a L. quis atravessar...
Por fim, já cansada  (talvez) quis sentar-se e começou a cantar fragmentos de canções enleadas debaixo de uma verdejante acácia...

E neste dia quando por fim, já noite, o sono chegou, pediu-me para dançarmos junto à janela da sala de onde se avistava a Lua; a Lua que tanto a Bebé quer dar mimos; vai-se lá saber porquê.

E eu, no meu coração de mãe, fico feliz por vê-la tão feliz e plena, livre e forte na rua e ao mesmo tempo tão sensível capaz de admirar e de se preocupar com a lua...
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dezembro 01, 2010

Passeios de Outono no parque: incentivar o jogo simbólico da Bebé

Há algumas semanas começámos a construir o nosso parque de Outono usando as folhas, paus, frutos que apanhámos nos nossos passeios de Outono.

Construímos as nossas árvores usando rolos de papel de cozinha que pintámos e onde colámos pedaços de folhas naturais que cortámos e rasgámos.

Também usámos pequenas esferas de papel para fazer as folhas noutra árvore.
O chão do parque foi feito com um pedaço de cartão grosso que pintámos e onde colámos outros elementos da Natureza.
Este parque tem sido cenário para grandes passeios e conversas para os bonecos da L.

Na verdade, ela cria e narra verdadeiras acções.

De tal forma que ás vezes os pequenos bonecos têm de se abrigar dos fortes ventos outonais (a L. usa uma grande folha de plátano como leque para fazer vento):
...e por vezes até têm de fugir de uma grande chuvada! :)

...mas, em geral, os bonecos podem desfrutar de calmos passeios de Outono neste parque, onde podem apreciar e conversar sobre as transformações da Natureza!

outubro 01, 2010

matemática no jardim: categorias e registo simples de dados pela Bebé

Quase todas as manhãs começámos por ir ao jardim.
Observamos as mudanças no tempo, nas plantas, no chão, no céu e é interessante constatar como ao longo do tempo a Bebé tem explorado este espaço de forma diferente...Cada vez mais independente e segura de si; corre, trepa, sobe e desce escadas (sem ajuda;  "- A L. consegue sozinha, mamã!").


Brincámos na rua com as sombras. A Bebé adora correr e descobrir  lugares que estão à sombra e ao sol; verbalizando: "A L. `tá à sombra; agora tá ao sol!"


Chamei a atenção da Bebé para as nossas próprias sombras; de como elas nos seguiam e faziam o que nós faziámos! Foi diverido!


Hoje olhou para mim e disse: "-mamã olha o A; a L. vai dar-lhe um miminho!"


É impressionante como este pequeno ser descobre letras em todo o lado; às vezes aponta para os objectos e diz que está ali determinada letra e eu fico à procura para ver se consigo ver a letra que está ali!
Na imagem abaixo a Bebé está abraçada a um T (que é oficialmente apenas o ferro de um estendal! :)

As crianças são observadoras incríveis e olham para o mundo e para as coisas de modo diferente de nós, adultos...é que às vezes de tanto olhar parece que deixámos de ver...

Então hoje fizemos três cestinhos a partir de metades de pacotes de leite e colocámos etiquetas em cada cestinho de acordo com aquilo que iríamos procurar no jardim: ramos, pedras e folhas.



mais tarde classificámos os objectos de cada caixinha segundo diferentes carcterísticas e agrupamo-los em diferentes categorias.

Usámos metades de sacos de papel para fazermos o registo da actividade e preparámos a cola de farinha.

A preparação da cola é uma actividade em si mesma e a Bebé adora fazê-la.

Utilizámos recipientes etiquetados, com diferentes texturas, cores, aberturas, diâmetro para diversificar as explorações.
A preparação da cola ajuda a desenvolver a motricidade fina da Bebé; a sua concentração e a capacidade para seguir indicações.

A cola de farinha é muito forte mas deixa resíduos brancos depois de seca.
 Depois de efectuado o registo contámos os elementos de cada conjunto e anotei o número correspondente.
A Bebé identifica já os algarismos e conta até 10, embora só conte com significado até 2.

Fizemos comparações simples entre os conjuntos (mais, menos, muitos, poucos).

Estas actividades (classificação, comparação) embora simples ajudam a Bebé na construção do sentido de número.

Uma nota final sobre os  sacos de papel que usámos nesta actividade: estes revelaram-se muito práticos pois pudemos usar as suas asas para expor o trabalho final na parede sem gastarmos nem papel nem fitas adesivas!


Normalmente eu e a Bebé usámos também os sacos de papel para fazer outros trabalhos. Enfim o limite é a imaginação...
E é tão bom imaginar... e aprender a ver o mundo através dos olhos desabituados de olhar de uma criança...

De facto esta minha Bebé tem sido, de longe, a melhor professora da minha vida.

(Obrigada, minha Bebé e desculpa não ser sempre uma aluna tão paciente e atenta quanto o desejaria...)